A morte da turista mineira Volúsia Martins Guimarães, 50, segunda-feira passada, na Praia de Itaperapuã, em Porto Seguro, gerou a proibição por parte da prefeitura local da prática do parasail, esporte radical em que um paraquedas é puxado por uma lancha em alto-mar. A mineira se divertia no equipamento quando o cinto peitoral do colete, que prende a pessoa ao paraquedas, quebrou e ela caiu de uma altura de mais de 50 metros, tendo fraturas na coluna, pescoço e problemas nos pulmões.parasail

A Prefeitura de Porto Seguro decretou a proibição do esporte, por tempo indeterminado, no dia seguinte ao ocorrido. O dono da lancha Pequena Sereia, que levava a turista mineira, Clemente Moraes Souza, 55, foi solto ontem da Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur). Ele saiu coberto por lençol e entrou rápido em um veículo preto, sem dar entrevistas. A delegada Teronite Bezerra informou que Moraes responderá por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.

A delegada comentou que o dono da lancha admitiu que o colete usado para prender a pessoa ao paraquedas estava sendo utilizado há três anos e nunca tinha passado por manutenção. “O material, que é de náilon, estava podre”, observou Teronite. A Polícia Técnica de Porto Seguro tem 30 dias para fazer análise do colete e da lancha que foram aprendidos. A culpa pela não-fiscalização ainda não foi esclarecida.

A agência da Marinha de Porto Seguro, em parecer sobre a Pequena Sereia, de 9 de maio de 2008, afirma que, “após inspeção no local por militares desta agência, nada tem a opor à prática de parasail”. Só que, adiante, no mesmo parecer, deixa a dúvida quanto a sua responsabilidade pela fiscalização, ao afirmar que “o presente parecer não implica aval ou autorização da atividade”. O capitão-tenente da Marinha de Porto Seguro, Nei Lira, disse que não poderia dar entrevista sobre o tema, apesar de uma semana antes ter falado com a reportagem em elaboração de matéria semelhante – sobre fiscalização de embarcações em áreas de banhistas.

Em nota oficial à imprensa sobre o assunto, a Marinha narra o acidente em quase todo o texto, dá os pêsames à família de Volúsia e informa que a “Capitania dos Portos da Bahia abriu o competente inquérito administrativo sobre o fato relacionado à navegação para apurar as causas e possíveis responsáveis pelo acidente em questão, em relação ao emprego da embarcação”. A TARDE tentou por diversas vezes contato com a assessora de imprensa da Marinha, Ângela Matias do Espírito Santo, mas ela não atendeu às chamadas em seu celular.

O corpo de Volúsia Martins foi velado ontem no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, na Grande Belo Horizonte (MG). A cerimônia de cremação foi no final da tarde. A reportagem não conseguiu contatos com a família, que, segundo a Deltur, entrará com processo por indenização contra os responsáveis pelo ocorrido. Foi o segundo acidente com o parasail em Porto Seguro. Em agosto de 2002, uma adolescente de 15 anos caiu de uma altura de cerca de 10 metros quando a lancha parou por falta de gasolina. Ela teve ferimentos leves. Na época, outra pessoa explorava o serviço.

Do A Tarde