A capital baiana ainda precisaria de ao menos R$ 3,5 bilhões em investimentos públicos e privados para estar pronta na Copa do Mundo 2014. O dobro do estimado em fevereiro.

O equivalente ao que os Jogos Pan-Americanos de 2007, que reuniram todos os esportes olímpicos em um só local, consumiram no Rio de Janeiro.

A confirmação de Salvador como subsede acontece neste domingo, 31, às 15h30 (horário de Brasília), em Nassau, capital das Bahamas, quando o Comitê Executivo da Federação Internacional de Futebol (Fifa) divulga a lista das 12 cidades onde vão ocorrer os jogos.

Tudo o que falta a ser feito na cidade será apontado, promete a Fifa, mas sem especificar quando. No País, mapeamento semelhante da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), encomendado pelo governo federal, apenas deve ser revelado no próximo dia 8.

Enquanto a data não chega – e o governo estadual também não abre o jogo, sequer admitindo qualquer ponto fraco na candidatura –, a mesma entidade que considerou a Fonte Nova o pior dos 27 principais estádios do Brasil, um mês antes da tragédia que até hoje lhe mantém interditada, liga o sinal de alerta.

“O poder público tem achado que 2014 é longe. Se brincar, é amanhã, critica Claudemiro Júnior, presidente da seção Bahia do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), que amanhã lança relatório sobre o tema.

Sob o título “Vitrine ou Vidraça”, referência tanto à possibilidade de o evento desenvolver o País, quanto de arranhar a sua imagem, o documento será entregue às três esferas governamentais – inclusive o presidente Lula – e ataca pontos cruciais do projeto soteropolitano. “Além da própria arena, a mobilidade urbana, o turismo e a segurança”.

Segundo Júnior, o argumento para escolha do projeto da nova Fonte Nova – baseado numa “experiência de sucesso” da parceira da empresa, na Alemanha –, não convenceu o Sinaenco. “Não somos crianças. Há muito mais em jogo. Acho que, no fundo, se o comitê tivesse uma autonomia maior no processo, talvez a decisão fosse outra”, alfineta.

Sem deixar de destacar os altos índices de violência, ele prossegue: “A questão do transporte envolve a ampliação do aeroporto, que está começando a ter problema de estacionamento e, até a história da Copa, não tinha previsão de reforma”. Já existiria até uma “infiltraçãozinha” na pista. “E a solução, eu sei que está sendo paliativa, até por estar envolvido no conserto”, completa o engenheiro.

A evolução do turismo, durante os últimos mundiais, também é chamada a atenção. “Pelo que aconteceu em 94, 98, 2002 e 2006, são esperados 8 milhões de turistas em 2014, para um único mês. Por ano, o Brasil recebe 5 milhões! E ainda será preciso entreter este povo, cuja apenas a minoria conseguirá entrar nos estádios”, conclui, elogiando a alternativa germânica dos chamados FanFests (reunião de torcedores em espaços com telões).

Júnior arremata: “De todos os gastos para a cidade, no máximo 15% serão da arena. E o que temos atualmente na Bahia? Uma orla horrível e uma Baía de Todos os Santos mal aproveitada. Necessitamos correr”.

Anote a lista – Coordenador do grupo de trabalho local para o torneio, Fernando Schmidt garante que as dificuldades serão superadas. Para arrumar Salvador, os recursos devem alcançar os R$ 3,5 bilhões – há menos de quatro meses, quando representantes da Fifa visitaram a capital, falou-se em R$ 1,8 bi.

“Agora, é uma coisa que não é dinheiro do Estado da Bahia. Existe muito dinheiro federal. municipal e ainda iniciativa privada no meio”, explica. Só do que denomina “legado da Copa”, diz que chegariam a R$ 2,7 bilhões.

Anote a lista e cobre daqui a cinco anos: construções da nova pista do aeroporto, da Via Expressa, do Complexo Viário 2 de Julho – já realizado – e de um terminal marítimo; ampliação do porto e dos sistemas de esgoto sanitário e de abastacimento de água; recuperação do centro histórico; urbanização de favelas; melhorias de unidades de saúde e a conclusão do Hospital do Subúrbio; implantação das linhas 1 e 2 do metrô (Lapa-Acesso Norte; Acesso Norte-Pirajá), criação da Avenida 29 de Março (integrando a BR-324 à Paralela, com extensão de 24 quilômetros), elaboração do projeto Transalvador, modernização da linha ferroviária Calçada-Paripe e um conjunto de ações para sanar situações críticas do trânsito.

Para completar, também chefe de gabinete do governador Jaques Wagner, Schmidt confessa: “Isso, sem incluir todas as despesas previstas do metrô, que por exemplo está aqui com R$ 1,53 bilhão, mas com certeza vai ser mais”.