Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram na madrugada desta quarta-feira novos destroços do jato da Air France que desapareceu no Atlântico com 228 pessoas a bordo, após a confirmação de que a aeronave caiu no mar durante o trajeto Rio-Paris.

“Uma aeronave R-99 da Força Aérea Brasileira (FAB) identificou às 03h40 (horário de Brasília), mais quatro pontos de destroços, 90 quilômetros ao sul da região inicialmente coberta pelas aeronaves da FAB”, afirmou a FAB.

A tripulação a bordo do R-99 observou vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio, entre eles um objeto de 7m de diâmetro e outros 10 objetos, sendo alguns metálicos, além de uma mancha de óleo com extensão de 20 km. De acordo com a FAB, outras cinco aeronaves militares — três Hércules, um P-3 dos EUA e um Falcon francês — decolaram de Natal com destino à área de buscas para percorrer os pontos identificados.

“Com relação a esse tamanho de peça de 7 metros, considerando-se um avião, pode ser uma lateral, um pedaço de asa, pode ser qualquer parte da fuselagem da aeronave, pode ser da cauda. Um pedaço de 7 metros, aparentemente metálico, é um pedaço considerável”, disse a jornalistas o coronel Jorge Amaral, vice-chefe do Centro de Comunicação Social da Aernáutica. O coronel acrescentou que não foram avistados corpos nem sinais das caixas-pretas.

NAVIO NA REGIÃO

A primeira das cinco embarcações da Marinha que seguem para o local onde foram visualizados os destroços, o navio patrulha Grajaú, chegou à área nesta manhã. “O primeiro navio chegou na area de buscas pela manhã e está realizando buscas, mas ainda não teve identificação visual com nenhum material”, informou o centro de comunicação da Marinha.

Ainda nesta quarta-feira deve chegar à região a corveta Caboclo, que será usada nas buscas e no reabastecimento do navio patrulha Grajaú. Na quinta-feira é esperada a chegada de mais uma embarcação da Marinha, o que deve se repetir na sexta-feira e no sábado com mais duas embarcações.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local e vai tentar localizar as caixas-pretas, que podem ajudar a descobrir as causas do desastre misterioso.

De acordo com a Marinha, dois navios mercantes também estão no local –um holandês e um francês– e ajudam na operação. A visibilidade na região onde são feitas as buscas é regular e as chuvas são esparsas. Um terceiro navio mercante que estava na região pediu para deixar a área por falta de combustível.

A confirmação de que as primeiras partes do Airbus A330 foram encontrados foi dada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na tarde de terça-feira, após reunir-se com familiares dos passageiros no Rio. De acordo com a Força Aérea, a quantidade e o tipo de material avistado primeiro –peças brancas, fiação e manchas de óleo dispersos por cerca de 6 quilômetros– levou à conclusão de que os destroços pertenciam ao Airbus que fazia o voo AF 447.

Os militares brasileiros, que entram no 3o dia de buscas, prosseguiram durante a madrugada a operação na área em que foram encontrados os primeiros destroços, a 150 quilômetros do local onde o Airbus A330 enviou uma mensagem automática informando que sofria problemas técnicos quatro horas após decolar na noite de domingo.

INVESTIGAÇÕES

Paul Louis Arslanian, chefe da agência de investigação de acidentes aéreos da França, demonstrou pessimismo sobre as chances de se encontrar as caixas-pretas e acrescentou que o inquérito sobre o acidente pode não revelar todas as razões para a queda do avião.

“Não posso descartar a possibilidade de que podemos acabar com um relatório relativamente insatisfatório em termos de certezas”, disse Arslanian a repórteres. “Mas vamos fazer o nosso melhor para limitar a incerteza”, acrescentou.

As caixas-pretas são feitas para enviar sinais de localização por até 30 dias quando estão na água. O voo AF 447 tinha 216 passageiros a bordo de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.
Reuters