O presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, descartou acabar com a marca Ponto Frio, que foi comprada pela empresa nesta segunda-feira (8), pelo menos a curto prazo.

“A marca Ponto Frio é muito forte. Seria prematuro mudar agora. Precisamos de pesquisas para nortear nossas decisões”, disse ele. Diniz citou como exemplo a rede de supermercados Sendas, cujo nome foi mantido após ser adquirida pelo Pão de Açúcar.

Ele confirmou que as operações do Ponto Frio serão mantidas separadas e com as características semelhantes às atuais. “A rede Ponto Frio vai ser mantida do jeito que ela é. O negócio agora será tocado para frente, com melhorias sendo feitas no caminho”, disse.

O executivo afirmou que as negociações para a compra do Ponto Frio começaram há cinco anos e se intensificaram nas últimas duas semanas, mas, por questões contratuais, ele não pôde entrar em detalhes sobre a aquisição. “Foi difícil (a transição). Outros se apresentaram, tivemos também a crise internacional, mas nunca deixamos de ter confiança”, acrescentou. Segundo ele, as assinaturas do contrato feitas entre as 23h de ontem e as 6h desta segunda-feira. A integração das operações deverá ser feita no período de oito a doze meses.

Sinergia
O grupo Pão de Açúcar calculou em R$ 500 milhões o valor das sinergias que poderão ser extraídas da compra. Além disso, o grupo deve obter um benefício fiscal de R$ 100 milhões somente com o ágio da transação, fechada por R$ 824,5 milhões.

No entanto, o presidente-executivo do Pão de Açúcar, Claudio Galeazzi, fez questão de salientar que o valor informado para as sinergias não são definitivos. “É uma estimativa”, reforçou.

Fechamentos
O presidente também declarou que serão mantidos os cerca de 79 mil postos de trabalho da empresa. Segundo ele, o número de lojas que serão fechadas por sobreposição de endereços será “muito pequeno”. Também não está previsto o encerramento de nenhum centro de distribuição. Hoje, o Ponto Frio possui 455 lojas.

Para Abílio Diniz, com a expansão do mercado imobiliário e a maior oferta de crédito, o setor de eletrodomésticos tem se tornado interessante no País. “As pessoas gostam de eletrodomésticos, de modernidade. O grupo precisava dominar essa área”, afirmou. Além do Ponto Frio ser o 2º no ranking na venda de eletrodomésticos, só perdendo para as Casas Bahia, Abílio destacou como atrativos a boa localização de suas lojas e o nome consolidado.

De acordo com Enéas Pestana, vice-presidente executivo do grupo, o mercado de eletrodomésticos tem o potencial de crescimento de 15% ao ano e deve atingir R$ 134 bilhões em 2013.
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