Os comandos da Marinha e da Aeronáutica informaram nesta terça-feira que o total de corpos de vítimas do acidente com o vôo AF 447 resgatados até agora chegou a 41. Os últimos 25 corpos recolhidos estão embarcados na fragata Bosísio, em direção à Fernando de Noronha.

Os 16 primeiros corpos resgatados, que estão em Fernando de Noronha, serão transportados por uma aeronave Hércules C-130 para a Base Aérea do Recife amanhã à tarde. Eles devem chegar por volta das 15h ao local, de onde serão transportados ao Instituto Médico Legal da capital pernambucana. Atualmente, a área de concentração de corpos e destroços fica a 1.350 km da cidade do Recife, uma distancia superior a que separa Paris e Lisboa, por exemplo. As ações de busca e resgate continuarão durante a noite de hoje e estarão concentradas nos pontos onde foram localizados os corpos.

Segundo o tenente-brigadeiro Ramon Cardoso, todos os corpos avistados até agora foram resgatados. Isso foi possível devido à localização dos navios, que permite que eles possam chegar mais rapidamente ao local do avistamente dos corpos, segundo Cardoso. O brigadeiro disse, ainda, que as correntes marítimas estão se dirigindo ao norte do local da queda, o que faz com que os corpos também migrem para lá. Amanhã, a área de buscas será ampliada ao norte, no sentido das correntes, invadindo o território de Dacar, no Senegal. “Ainda não tivemos nenhum corpo recolhido além dos limites brasileiros, mas amanhã nossas buscas passarão pelas águas de Dacar. Já foram feitas coordenações para que tanto aeronaves quanto navios possam atuar nas águas de Dacar”, disse o tenente-brigadeiro.

Os corpos seguirão sendo transportados de helicóptero do navio até a base em Fernando de Noronha. Cada helicóptero pode carregar oito corpos de cada vez, levando em consideração, também, as condições meteorológicas na região. “A grande dificuldade que nós temos nessa operaçao é quanto a meteorologia. Se o mar estiver muito forte, ou os ventos estiverem muito fortes, vai atrapalhar esse trabalho e demandará um tempo maior para o transporte dos corpos”, disse Cardoso.

Os destroços do Airbus que foram recolhidos por navios brasileiros deverão ser levados ao Recife e, depois, entregues à França. Já os materiais encontrados pelos navios franceses poderão ser levados direto ao país. “O objetivo primordial deles é procurar destroços e o que for encontrado ficará com eles”, disse o tenente-brigadeiro. Os corpos, no entanto, mesmo que encontrados por embarcações francesas, serão transportados para navios brasileiros e, sem exceção, enviados para o Recife.

O governo Francês solicitou o ingresso, em águas jurisdicionais brasileiras, de dois rebocadores de alto-mar contratados pela França: o Fairmount Expedition e o Fairmount Glacier, que levarão a bordo 40 toneladas de equipamentos para auxílio às buscas dos destroços. Além disso, o Submarino Nuclear Émeraude, o Navio de Pesquisa Porquoi Pás e o Navio Anfíbio Mistral, estão seguindo para a área das buscas, em coordenação com o Serviço de Salvamento Aéreo.

De acordo com o oficial, a França informou que dois investigadores virão ao Brasil para acompanhar as buscas. Na noite de ontem, uma equipe de sete peritos franceses chegou ao País para ajudar na identificação dos corpos no IML do Recife. Entre eles há dentistas, especialistas em reconstrução de impressões digitas e biólogos. O grupo já atuou em dezenas de catástrofes de repercussão mundial, entre elas o tsunami ocorrido no sudeste asiático em 2004.
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