Os Jogos Olímpicos no Brasil em 2016 estão orçados em R$ 20 bilhões, somando não apenas os investimentos nas instalações esportivas, mas contando, também, todos os gastos em obras de infraestrutura.

Nesta semana, a delegação brasileira tem a última chance de apresentar o Rio aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Lausanne, na Suíça. O Comitê Executivo da entidade estará reunido de hoje a quinta-feira para discutir assuntos relacionados aos Jogos de 2016. Além dos projetos das candidatas à cidade-sede, a entidade discutirá quais esportes podem fazer parte do programa do torneio. Sete esportes – beisebol, softbol, rúgbi de sete, golfe, patinação, caratê e squash – disputam duas vagas.

A candidatura brasileira não esconde que pretende surfar na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Rio está na fase final da escolha do COI, disputando com Madri, Chicago e Tóquio a Olimpíada que será realizada daqui a sete anos. Lula, que está na Suíça, queria ir até o COI hoje para fazer lobby pelo Brasil. Mas as normas da entidade impedem a visita pessoal do político, que não faz parte da delegação que falará na quarta-feira aos membros da entidade. Por isso, apenas o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes estarão no encontro.

Para driblar tal determinação, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) decidiu que exibirá uma mensagem do presidente gravada em vídeo. “A grife Lula é muito forte”, admite Cabral. “O presidente tem prestígio internacional. Ele fez do Brasil um país respeitado em todo o mundo.”

Segundo o governador do Rio, Lula tem conversado com políticos e delegados do COI em todas as viagens realizadas ao exterior nos últimos meses, pedindo votos para o projeto brasileiro. E o presidente já garantiu que estará em Copenhague, na Dinamarca, em 2 de outubro, véspera do dia em que o COI revelará a cidade escolhida para receber os Jogos.

AVALIAÇÃO
Se o enfoque carioca é, em parte, no peso político de Lula, a candidatura foi a que teve pior avaliação entre as quatro finalistas. “Vamos mostrar agora que o projeto é viável”, disse o prefeito Eduardo Paes. Segundo o político, o custo de R$ 20 bilhões inclui a ajuda do Governo Federal para obras como a do metrô (orçada em R$ 4 bilhões) e outros projetos que não dependem da escolha do Rio como cidade-sede.

“Os investimentos já estão ocorrendo”, disse, apontando para a renovação da região portuária como exemplo. Sérgio Cabral também garante que o valor inclui recursos que estão sendo usados já neste ano. “Ninguém acha que Madri, Tóquio ou Chicago não podem fazer os Jogos. A diferença agora é que nós também podemos”, afirmou o governador.

Cabral garante que a pior crise econômica em 70 anos não afetou o fluxo de recursos para o Rio. “Não teremos esse problema”, garantiu, destacando o envolvimento do setor privado. Outra mensagem é a de que o COI ganharia mais se os Jogos fossem no Brasil do que se voltassem ao Japão, Estados Unidos ou Europa.
Estadão