Se o Ano da França do Brasil se transformasse em um filme, certamente seu protagonista seria o ator francês Vincent Cassel, 42 anos. O marido de Monica Belluci, como a imprensa adora identificá-lo, entrou no espírito do intercâmbio cultural que se instaurou entre os dois países neste ano.

“Eu invento projetos para poder voltar ao Brasil”, diz o ator. Além de falar português, atuar em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, e estar envolvido em dois projetos de filmagens no Brasil, na terça (16) Cassel estará em São Paulo para participar do Panorama do Cinema Francês.

Na mostra, que se realiza de terça (16) ao dia 25 de junho simultaneamente em São Paulo e Rio de Janeiro, ele apresentará ao público o filme “Inimigo Público Número 1″, segunda parte do díptico de Jean François Richet sobre a vida do lendário gangster francês Jacques Mesrine. A primeira parte, “Instinto da Morte”, tem estreia prevista no Brasil para o dia 3 de julho.

“Quando aceitei ser padrinho do Festival por três anos seguidos, minha única exigência era que esse filme estivesse na programação. É a minha prioridade no momento, um lançamento mundial”, contou Cassel ao UOL Cinema, pelo telefone, de Nova York, onde passava alguns dias de férias com a mulher e a filha, Deva, 5 anos. “Não sei se conseguirei participar da edição do ano que vem, mas vou tentar conciliar minha agenda.

Todas as ocasiões são boas ocasiões para voltar ao Brasil”, diz o ator, que não perde uma chance de declarar seu amor pelo país. “Desta vez, vou aproveitar a viagem principalmente para divulgar ‘Inimigo Público Número 1′, que está entrando em cartaz.” Lançado no ano passado na França, “Instinto da Morte” e “Inimigo Público Número 1″ levaram mais de 3,7 milhões de espectadores ao cinema e deram a Cassel o prêmio César 2009 de melhor ator. Os críticos franceses preferem o primeiro. Para o colunista Thomas Sotinel, do “Le Monde”, “Inimigo Público Número 1″ não tem a energia de seu antecessor, “com menos ação” e mais “reflexão”.

O ator francês também deve aproveitar sua estadia no Brasil para promover “À Deriva”, de Heitor Dhalia, exibido na mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes. Cassel conheceu Heitor Dhalia por meio do diretor Fernando Meirelles. Dhalia teve a idéia de convidá-lo para participar do filme depois de assistir à uma entrevista dele, na TV, num camarote na Sapucaí, em português. No filme, Cassel interpreta um dos principais personagens, pai da novata Laura Neiva. “Sempre gostei de filmar em línguas estrangeiras.

 Já filmei dois longas em russo e não sei falar uma palavra de russo”, contou. Não é o caso do português. O ator fala fluentemente, mesmo que tenha preferido ser entrevistado em francês. “Acho que assim vai mais rápido”, desculpou-se, prometendo, no fim da conversa, “que da próxima vez vamos falar em português, com certeza”.

No próximo ano, o ator volta ao Brasil para filmar, no Rio, “Onze Minutos”, adaptação do livro de Paulo Coelho. No elenco, estão Mickey Rourke e Alice Braga, estrela de “Cidade de Deus”. As filmagens estão previstas para começar no dia primeiro de junho, em Genebra. Para Cassel, é a oportunidade de trabalhar com o diretor palestino Hany Abu-Assad de “Paradise Now”.

O título ganhou em 2006 o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Em 2011, o ator francês retorna novamente ao Brasil para filmar um longa-metragem ainda sem título, com a mulher, Monica Belluci, no papel principal. “É um filme sobre ecologia, ainda estamos definindo o elenco”, explicou.

Por enquanto, Belluci está divulgando o filme “Ne Te Retourne Pas”, da diretora Marina Van, também apresentado em Cannes, onde contracena com Shophie Marceau. “É um filme impressionante, ao estilo Gaspar Noé”, diz Cassel, se referindo ao diretor do indigesto “Irreversível” (2002).

“Não é um filme para todo mundo, não é fácil, mas fala de uma maneira onírica e dura da infância. Em um determinado momento, surge uma criatura que é uma espécie de mistura das duas, o que incomoda muito. É um filme muito profundo, que me emocionou muito. No fim, a gente acaba acreditando que Monica e Sophie se parecem, e elas não tem nenhuma semelhança.” Palavra de marido.
UOL