Apresentador de reality show não disputa prêmios milionários, mas concorre a críticas. Foi assim com o global Pedro Bial, nas primeiras edições do Big Brother Brasil, e está sendo assim com o também jornalista Britto Jr., da TV Record, que desde 1º de junho comanda A Fazenda – atração que confina celebridades em um sítio em Itu, interior de São Paulo.

A resposta do público ainda está aquém das expectativas e do investimento da Record (30 milhões de reais) em A Fazenda. Mas a liderança por 27 minutos na Grande São Paulo, no último domingo, com picos de 23 pontos no Ibope, começa a animar a emissora a realizar uma segunda edição, ainda neste ano. Para Britto Jr., A Fazenda já merece nota oito. Confira a entrevista do apresentador a seguir.

As comparações com Pedro Bial o incomodam?
A comparação com o Pedro Bial é descabida, no sentido de que ele já faz há nove anos o Big Brother, e que, quando ele fez o primeiro, o segundo, o terceiro e, se eu não me engano, até o quarto, todo mundo falava mal dele. Só que, com o tempo, o Bial foi provando que estava certo, que o estilo estava correto, que a maneira como conduzia era correta. E ele, particularmente, também fez auto-análise, usou de autocrítica e foi ajustando o tom. É a mesma coisa que está acontecendo comigo.

Não dá para não falar da recente polêmica entre você e José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, da Globo: ele criticou a estreia de A Fazenda via Twitter, dizendo que o ritmo do programa era muito lento. Você retrucou, dizendo que ele fora antiético.
(Risos) É claro que foi antiético. Essa é uma atitude antiética, porque ele tem de se preocupar com o time dele. Eu morri de rir com a réplica dele a essa minha crítica: segundo li na internet – eu nunca conversei pessoalmente com ele -, ele respondeu que não é jornalista e não precisa de ética. Se isso for verdade, nós temos aí uma confissão do Boninho que explica a maneira como ele trata os artistas que comanda. Se você somar todas as situações que já foram divulgadas envolvendo o nome dele, situações que deixaram constrangidas pessoas que trabalham com ele, aí talvez você tenha a explicação de por que ele age dessa forma.

Foi esse ritmo supostamente lento do programa no dia da estreia, apontado por Boninho, o motivo da divergência entre Rodrigo Carelli, diretor do reality, e Alexandre Frota, assistente de direção, que culminou com a saída de Frota?
Eu li no jornal que talvez o Frota tenha tido alguma divergência com o Carelli. Mas eu não posso confirmar, porque eu também não sei o que aconteceu e não estou interessado em saber, não é assunto meu. Estreia só tem uma, foi o único programa em que os 14 participantes estiveram juntos, porque eles estavam sendo apresentados. É isso o que algumas pessoas chamaram de ritmo arrastado. Como assim? O que elas queriam? Que os participantes, do lado de fora, já estivessem vivendo o reality? Não, né? Aquele foi um bom programa, um programa como a gente tinha planejado. Só que, depois que saiu do ar, durante a semana, fizemos uma análise e achamos que precisávamos fazer algumas alterações.

Que tipo de alterações?
Da minha parte, especificamente, senti que seguir à risca o que fora determinado pela direção do programa não funcionava tão bem. Pretendia-se repetir o tom mais sóbrio da apresentação feita em outros lugares. Em alguns dos 40 países em que o reality já existe, o apresentador brilhava menos, não tinha uma participação eufórica, animada, e a gente percebeu que o nosso público não entendeu bem isso. O público quer que o Britto seja o Britto como todo mundo conhece: mais animado, brincalhão – na hora certa, evidentemente. Então, a partir do segundo programa, na quarta-feira à noite, ele foi se soltando. E agora, nesse momento, eu estou absolutamente à vontade. Nós, que estamos começando agora, temos que ter a humildade de saber que nem tudo vai ser perfeito numa primeira edição. Que vamos encontrar o nosso caminho. Que eu, particularmente, vou achar meu tom. Eu acho que agora, a essa altura, eu já achei. E posso dizer que hoje a nossa nota é oito, diante das dificuldades, do pioneirismo da emissora de fazer uma coisa dessas num lugar diferente, no campo.

Alguns programas da Record parecem cópias dos da Globo. Isso é bom para o telespectador?

Essa tese é ridícula (risos). A TV Globo não está fazendo nada de novo, também. O Big Brother é novo, gente? O Big Brother é um formato da Endemol [empresa holandesa criadora do formato do reality show], que tem em trocentos países. Então, onde é que está a novidade da Globo? É uma hipocrisia as pessoas dizerem que a Record copia a programação da Globo. Todo mundo tem jornal, todo mundo tem novela: onde é que está a cópia? Acho que a TV Globo, por ser um monopólio, por ter feito primeiro, serve como referencial. Não dá para a gente ser 100% novo, no sentido de criar coisas que nunca foram feitas. É como se você colocasse um jornal novo na praça e dissesse que ele está imitando o Estadão ou a Folha de S. Paulo. Agora, ninguém fala que o Hoje em Dia é original, ninguém fala que não tem nenhum programa igual ao Melhor do Brasil, nenhum programa igual ao da Eliana. Por que será que não falam nada disso? Não entendo.

Você sente saudades da Rede Globo?
Não. Eu sinto saudades dos meus colegas, porque construí tantas amizades lá. Tenho vivos na minha memória momentos maravilhosos que passei lá, de muito trabalho, de muito aprendizado. Mas eu não tenho saudade do ponto de vista profissional, porque hoje eu encontrei meu caminho, eu evoluí, estou apresentando programa, estou em outro patamar. Eu recebi sondagens para voltar, mas percebi que era alguma coisa para o jornalismo, e nesse momento eu não penso mais em ficar restrito a essa área jornalística, que é maravilhosa, mas na Record eu consigo fazer o jornalístico e o artístico, e isso é o que eu sempre sonhei.

Como você vê a briga entre Globo e Record?

Eu acho espetacular. Eu gostaria muito que essa briga fosse ampliada e que outras emissoras pudessem entrar. Acima de qualquer interesse específico de cada canal, existe um interesse maior que é o de fazer uma programação de qualidade para o telespectador.

Você participaria de um reality show?
Não, porque não consigo viver num confinamento assim, longe da internet, longe das informações. Nunca me fizeram essa proposta e acho que nunca vão fazer, mas eu realmente não tenho o perfil para participar disso.

O que você acha que leva as pessoas a participar de um programa assim?
Em primeiro lugar, ganhar o prêmio de 1 milhão de reais. Ter holofote, também, porque todo mundo se torna conhecido ou mais famoso do que já é. No caso de A Fazenda, que reúne pessoas com vários graus de popularidade, eu suponho que também deva passar pela cabeça o seguinte: “Acho que vai ser bom para a minha carreira”. Agora, essa matemática não é muito lógica. Dois mais dois nem sempre dão quatro nessa conta, porque, às vezes, a pessoa é popular e todo mundo conhece a imagem que é construída dela na mídia. Mas como será essa pessoa na vida real?

Como você analisa a estratégia dos participantes de A Fazenda?
É cedo para dizer. Apesar de alguns conflitos, a gente não tem muita certeza do que é jogo e do que é temperamento, entende? Você tem a ala dos mais temperamentais e contestadores, e a ala dos mais quietinhos. Está bem dividido nesse sentido. O Théo Becker com certeza está no time dos mais rebeldes. A Babi, antes de sair, variou. Era do time dos comportados, mas falou umas coisas e lá dentro acharam que ela estava jogando, que era ambiciosa. Então, ela talvez fosse um terceiro núcleo, dos indecisos (risos). Mas seria antiético eu torcer para alguém ou apontar algum favorito.

Um dos que estão surpreendendo é o Dado Dolabella…
Eu acredito que ele esteja mesmo surpreendendo a maioria das pessoas. Não falavam que ele era estourado, que ele brigou não sei com quem, que ele bateu na… [atriz Luana Piovani, ex-namorada do ator] Agora, o que a gente está vendo é um cara mais controlado, mais na dele. Isso é surpreendente. Mas até que ponto isso é o verdadeiro Dado ou apenas a estratégia dele de jogar? Eu não sei, vamos ter que dar tempo ao tempo.