Todo mês é a mesma história, as dores pélvicas teimam em tirar o sossego de boa parte das mulheres. O incômodo atende pelo complicado nome dismenorréia ou, simplesmente, por cólica menstrual.

Muitas das pobres mortais afetadas apelam para a automedicação, sem ao menos saber que a situação pode estar relacionada com alguma doença, que pede tratamento específico.

A cólica é provocada, de maneira geral, pela contração do útero e se manifesta em diferentes graus: desde um pequeno desconforto até dores intensas, acompanhadas de diarréia, sensação de mal-estar, dor de cabeça. Recebe duas classificações: primária e secundária.

No primeiro caso, não há lesões nos órgãos pélvicos. “Em geral, é causada pelo aumento da produção de algumas substâncias pelo útero, chamadas de prostaglandinas, que promovem contrações uterinas dolorosas”, explica a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose São Paulo.

Normalmente, o “martírio” primário começa a se manifestar após as primeiras menstruações. “Costuma cessar ou diminuir de intensidade por volta dos 20 e poucos anos ou após a gravidez.” O estresse é um fator agravante, porque colabora com o aumento da produção das prostaglandinas.

O tratamento é realizado com antiinflamatórios. Outras recomendações são exercícios físicos moderados, uso de bolsas de água quente, banhos mornos e massagens relaxantes. Até a alimentação colabora. A dieta deve conter menos gordura animal, laticínios e ovos, e mais vegetais, sementes cruas e nozes.

Secundária
A dismenorréia secundária pode surgir por uma lista de fatores e os mais freqüentes são endometriose, miomas uterinos, infecção pélvica, anormalidades congênitas da anatomia do útero ou da vagina, uso de DIU (dispositivo intra-uterino) como método anticoncepcional. A dor costuma aparecer durante o período menstrual, mas pode incomodar em outras fases do ciclo, de acordo com sua causa base.

O tratamento varia de acordo com o problema. “No caso da endometriose, a melhora pode ser conseguida com uso de métodos hormonais ou cirurgia. No caso das infecções, o tratamento é realizado com uso de antibióticos. O tratamento dos miomas, em geral, também é cirúrgico”, explica a ginecologista.

Diagnóstico
Quem sente cólicas deve procurar um médico para identificar os motivos. O diagnóstico é baseado na história do paciente e nos exames físicos e ginecológicos. Às vezes, são necessários exames complementares, como dosagens hormonais, ultra-som transvaginal, ressonância magnética e, em último caso, laparoscopia.
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