O Brasil enfrenta hoje a África do Sul, que não faz a lição de casa para sediar a Copa do Mundo de 2010.

Desde que foram indicados como sede da maior competição do futebol mundial, em maio de 2004, os sul-africanos investiram US$ 3,5 bilhões (R$ 7 bilhões) para construir estádios e tentar dotar o país com a infraestrutura necessária para receber a competição. Mas os sul-africanos se esqueceram da sua própria seleção. O time de Dunga terá pela frente, em Johannesburgo, uma equipe em queda livre a pouco mais de um ano da Copa.

Em 2004, quando soube que iria organizar o Mundial, a África do Sul era a 40ª seleção do ranking da Fifa (a sétima melhor africana), vinha de duas participações seguidas em Copas (1998 e 2002) e boas campanhas na Copa da África, como o título em 1996 (seu único na história), um vice em 1998 e a terceira colocação em 2000.

De lá para cá tudo mudou.

A África do Sul é hoje apenas a 72ª equipe da lista elaborada pela Fifa (e é somente a 17ª melhor de seu continente). O time fracassou na tentativa de ganhar vaga na Copa de 2006.

Na fase final das últimas duas Copas da África, não venceu um jogo sequer. Para a próxima edição do torneio, que será em janeiro do próximo ano, nem passou das eliminatórias.

O brasileiro Joel Santana é o quarto técnico da equipe desde que a organização do próximo Mundial foi passada aos sul-africanos. A anfitriã da Copa das Confederações chegou às semifinais do torneio com uma campanha apenas razoável na primeira fase, quando conquistou quatro pontos em um grupo que tinha a Espanha e duas seleções de baixo nível técnico (Iraque e Nova Zelândia).

Tais resultados fazem os sul-africanos despejarem críticas em cima de Joel Santana. Ontem, em entrevista oficial da Fifa, o treinador chegou a bater boca com um repórter local que chamou seu time de defensivo.

Para o treinador brasileiro, a vaga nas semifinais foi um grande feito. “Chegar às semifinais já foi um título. Se vencermos o Brasil, seremos bicampeões. Se ganharmos o título, então será o tri. E aí é demais até para mim”, declarou o treinador, que disse levar vantagem na experiência como técnico sobre Dunga, que estreou na função direto na seleção.

“O que eu tenho é um testamento, e não um currículo”, brincou Joel Santana.

Ontem, ele foi com o restante da equipe visitar Nelson Mandela, 90, o ex-presidente sul-africano que foi o herói da luta contra o apartheid no país. “Foi de arrepiar. Só o olhar dele já transmite tranquilidade”, afirmou o técnico.
Folha