Elba Ramalho está festejando 30 anos de carreira fonográfica iniciada em 1979 com a gravação de seu primeiro LP, Ave de Prata.

Por conta da efeméride, a gravadora Universal  detentora de parte expressiva da discografia da intérprete  está repondo em catálogo quatro títulos da fase áurea de Elba. Voltam às lojas Alegria (1982), Coração Brasileiro (1983), Do Jeito que a Gente Gosta (1984) e Fogo na Mistura (1985).

Coordenadas pelo jornalista Rodrigo Faour, as reedições são remasterizadas (o som está ótimo) e reproduzem no encarte o material gráfico dos LPs originais. Já valeria comprar os discos apenas pelo zelo das reedições, mas o fato é que os títulos resistem bem ao tempo. Alegria marcou o início do sucesso popular da artista, após três discos mais densos gravados na CBS (inexplicavelmente, o Elba de 1981 nunca saiu em CD).

A partir de Alegria, o regionalismo que pontua a obra da cantora passou por um filtro pop sem perder a conexão com as origens de Elba. Nesse sentido, Coração Brasileiro, produzido por Mazzola, é o disco mais azeitado do pacote. Trouxe os hits Toque de Fole, Banho de Cheiro (frevo ainda hoje obrigatório nos shows da intérprete) e Canção da Despedida.

É fato que a fórmula começou a dar sinais de desgaste em Do Jeito que a Gente Gosta, disco de repertório ligeiramente menos inspirado e de arranjos ligeiramente mais pasteurizados. Contudo, Elba soube se renovar em Fogo na Mistura com fusões (“Sambaiãozar”) e incursões pelo universo rítmico de Cuba. Sem esquecer o romantismo. De Volta pro Aconchego foi o hit do esfuziante disco. Que a coleção motive reedições de outros discos de Elba. Do jeito caprichado que a gente gosta.
Terra