Jânio Lopo

Acredito que política é a arte do impossível. Daí me permitir conjeturar sobre a possibilidade de uma aliança, firme e para valer, entre o PMDB e o PT, que hoje andam às turras e cuja tendência, do jeito que a coisa vai, é o cometimento de um “partidicídio”. A expressão acaba de ser inventada por mim. Tratarei logo de patenteá-la. “Partidicídio” é quando um partido assassina o outro – literalmente.

Enquanto penso nessas baboseiras (tem algo melhor do que pensar em baboseira?) vem meu amigo Raimundo Sobreira, ex-deputado e peemedebista ferrenho me despertar para a realidade. E o fato real, no entender dele é que é improvável qualquer mudança no quadro político atual.

Pelo menos no que diz respeito ao seu PMDB. Sobreira acredita que não há santo capaz de tirar da cabeça do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) que ele será candidato ao governo baiano em 2010. Não há clima para uma desistência. O ministro se expôs à opinião pública reafirmando-se candidato, tem percorrido todo o Estado defendendo sua candidatura e agregou em torno de si, tanto na capital quanto no interior, uma massa eleitoral que já começa voluntariamente a fazer a sua campanha.

Um vacilo de Geddel, uma negativa ou um recuo mesmo que fora de suas intenções de não mais concorrer ao Palácio de Ondina soaria como desserviço ao eleitor. Seria uma desmoralização política para Geddel.

A tese de Sobreira é sóbria (gostaram da rima?), mas, insisto, em política tudo é possível, até o impossível, o imprevisto e o improvável. Vou, entretanto, acompanhar o raciocínio de Sobreira e aplicá-lo aos demais nomes que estão de olho na vaga de Jaques Wagner. Se a candidatura de Geddel é peça sacramentada, a de Paulo Souto também o é.

Souto atravessou ( e atravessa) um processo semelhante ao do ministro, embora cada qual preservando seu espaço. Ele (Souto) já esteve com os democratas que comandam seu partido nacionalmente e houve uma espécie de unanimidade em torno de sua postulação ao governo da Bahia novamente. Como presidente regional do DEM, ele conta com o apoio incondicional da legenda no Estado. Enfim, sua caminhada atrás da poltrona de Wagner é irreversível.

Os tucanos, inclusive, não vão largá-lo nem que chova canivetes. Ambas as siglas servirão de palanque para o presidenciável José Serra, atual governador de São Paulo. Em suma, uma união entre Souto e Geddel, que chegou parecer tão próxima hoje está mais distante do que possa imaginar a nossa vã filosofia.

Por sua vez, Wagner toca o barco. Invade cada vez mais o interior pressupondo, acredito, que aqui na capital a barra está limpíssima para ele. Ou seja, os votinhos virão sem muito esforço. Pode ser que sim, pode ser que não. De qualquer maneira Wagner procura se fortalecer. E é bom que o faça. Seria tremendamente constrangedor ele não chegar ao segundo turno.

A cantada unidade entre PT e PMDB entoada em épocas de bailes políticas deve ir mesmo por água abaixo. Então, estamos conversados: Geddel, Souto e Wagner (pode ser em qualquer órgão que o leitor preferir) são candidatíssimos ao mesmo cargo. E, para não ser repetitivo, peço licença e desculpas aos que me leem neste momento para sair de mansinho à francesa.