O governo da Bahia decidiu indenizar em R$ 100 mil a família do jornalista Manoel Leal, assassinado em 1998, em Itabuna (437 km de Salvador). O projeto de lei que determina o pagamento deve ser enviado à Assembleia Legislativa da Bahia nos próximos dias.

A indenização foi uma recomendação da Comissão Interamericano de Direitos Humanos, da OEA (Organização dos Estados Americanos). A comissão responsabiliza o Estado pela omissão na garantia de segurança e nas investigações no caso. O crime ocorreu durante a gestão de Paulo Souto (DEM).

“[A reparação] é um gesto que demonstra um pouco da nossa preocupação com o dano causado pela perseguição política na Bahia”, afirmou anteontem o governador Jaques Wagner (PT), durante homenagem ao jornalista, realizada também por recomendação da OEA.

Leal era proprietário do jornal “A Região”, que fazia oposição à administração do então prefeito de Itabuna, Fernando Gomes (PTB). O jornalista foi morto a tiros quando chegava em casa, em janeiro de 1998.

Além da indenização e do reconhecimento da “responsabilidade institucional” no caso, o governo baiano informou também que pretende pedir a reabertura do caso.

Dos três acusados do crime, apenas um está preso. O policial civil Mozart Brasil foi condenado a 18 anos de prisão. Os outros dois acusados foram absolvidos por falta de provas. Os mandantes não foram identificados pela polícia.
Folha