CartaCapital

A invasão da fazenda da Cutrale por integrantes do MST e a destruição de milhares de pés de laranja, em rede nacional, não poderiam ter ocorrido em pior hora para os sem-terra.

Os aliados da base governista haviam conseguido deter a criação da CPI para investigar o repasse de verbas públicas ao movimento, mas a ação na fazenda em Borebi, interior de São Paulo, teve o poder de inverter o jogo. Os ruralistas voltaram ao ataque e recolheram as assinaturas necessárias para instalar a comissão de inquérito.

Não só. Com apoio do PT e do governo, os ruralistas conquistaram, na quarta-feira 14, o comando da comissão que vai reformar o Código Florestal Brasileiro. A comissão vai analisar ao menos seis projetos de lei, entre eles a proposta de um novo Código Ambiental, com regras mais flexíveis e menos controle do Estado sobre a legislação.

A ação na Cutrale, com pichações das instalações e a derrubada de cerca de 3 mil pés de laranja, e a acusação de depredação de patrimônio e roubo de pertences dos empregados, veio a público duas semanas depois de o governo ter conseguido barrar a primeira tentativa dos ruralistas.

As imagens da destruição dos laranjais por um trator, feitas de helicóptero pela PM, foram ao ar no Jornal Nacional, da Rede Globo, na terça-feira 6 de outubro, nove dias após a invasão dos sem-terra e quatro dias depois que a CPI fora barrada.

A direção do MST assume ter derrubado os pés de laranja e pichado as instalações, mas atribui a acusação de desmonte de tratores, roubo de 15 mil litros de diesel e furto de objetos dos empregados a uma “armação” entre a polícia e a Cutrale. Se, por um lado, só existem imagens dos ataques ao laranjal, por outro o MST não apresenta qualquer prova de suas acusações à empresa.

A justificativa para a invasão é a disputa judicial travada há anos entre o Incra e a Cutrale pela posse da terra, que pertenceria à União. O superintendente do Incra em São Paulo declarou, porém, que a ocupação pela empresa não foi feita por falsificação de documentos ou grilagem, mas por boa-fé.