Josué Maranhão

“O Brasil será a 5ª.maior economia do mundo”. E não vai demorar! A meta será alcançada logo, logo! Pelo menos foi o que o presidente Lula disse em sua gloriosa estadia em Londres, ainda embevecido após o seu encontro com a Rainha, que o condecorou.

O Brasil foi um dos últimos a sofrer os efeitos da crise econômico-financeira que atingiu o mundo inteiro. E foi um dos primeiros a sair e a mostrar evidentes sinais de crescimento. Em síntese, a ênfase é dada pelos mentores da economia brasileira.

O Brasil tem uma posição de liderança e destaque entre os países ditos emergentes. Também é uma assertiva comumente feita pelos portentosos dirigentes do setor econômico do governo.

Conforme os indicadores dos últimos trimestres, em 2010 o Brasil atingirá um crescimento invejável. Mais uma vez isto faz parte da cantilena governamental.

Não é sem motivo, portanto, que o governo sente-se fortalecido e com suporte econômico tão forte. Daí não revelar qualquer preocupação com os gastos que serão feitos com a realização da Copa do Mundo de 2014, bem como com as Olimpíadas de 2016. As estimativas que apontam para um dispêndio de algumas dezenas de bilhões de reais não causam qualquer preocupação.

Ainda mais: convictos da vitória que dizem incontestável na eleição presidencial do próximo ano e, ainda, admitindo como “favas contadas” a volta do presidente Lula ao poder em 2014, os seus adeptos estarão no governo no transcurso dos dois eventos esportivos.

A pujança da situação econômica do Brasil permite os devaneios mais otimistas. Não importam as quedas na arrecadação nem os déficits que se acumulam, como decorrência do aumento exagerado dos gastos públicos.

Enquanto isso, a mídia revelou, nos últimos dias, em seguidas reportagens, a situação calamitosa em que se encontra a rede hospitalar que atende os pacientes do SUS.

A catástrofe é maior, ainda, se enfocado, particularmente, o setor de atendimento de urgência.

Não foram poucos os destaques documentados, nos quais foram mostradas situação em que pacientes do SUS são submetidos a verdadeiras maratonas, percorrendo seguidos hospitais, em busca de atendimentos de urgência.

Há uma carência inadmissível de Unidades de Terapia Intensiva na rede hospital que atende a população mais necessitada. Não são incomuns os exemplos revelados, em que pacientes com alto risco de morte, permanecem jogados em macas, em corredores de hospitais, até que muitos morram à míngua. A revolta de parentes foi mostrada em cenas dramáticas, revelando-se que muitos poderiam sobreviver se existisse o atendimentos emergencial necessário.

Os indicadores mostram que as vagas em UTIs, brasis afora, na rede do SUS não chegam ao percentual de dez por cento das necessidades que as estatísticas apontam.

Situações de desespero ocorrem, ao ponto de não serem incomuns os casos em que os próprios médicos, ante a aflição e angústia de familiares dos doentes, aconselham que a solução mais viável é o ajuizamento de ações . Comprovada em Juízo a necessidade de tratamento emergencial, os juízes emitem sentenças ou concedem medidas liminares, obrigando os hospitais a internar pacientes em Unidades de Terapia Intensiva.

Evidentemente, se trata de uma situação aflitiva, sabendo-se que a inexistência de vagas e a falta de atendimentos não decorrem de caprichos dos dirigentes de hospitais. É uma evidência ante a insuficiência de leitos.

Também não são incomuns as situações em que os próprios médicos são forçados a escolher, entre os pacientes emergenciais, quais os que merecem viver e que, portanto, serão atendidos, e aqueles que, sem apelação, estão condenados à morte.

A calamitosa situação do sistema de saúde, de um modo geral, não é diferente da insuficiência que se observa no setor educacional.

De igual forma, ninguém pode se manter alheio e insensível à guerra urbana que se trava, notadamente, no Rio de Janeiro. É também uma deficiência do sistema de segurança pública.

Apesar disso, muito embora as calamidades nos três setores básicos e essenciais, onde a presença do Estado é imprescindível, há euforia generalizada nas hostes governamentais, principalmente naquelas mais próximos ao presidente da República.

Quinta maior economia do mundo, com situação excepcional no setor, fortalecimento cantado em prosa e verso, tudo isto não significa que os efeitos da pujança se reflitam em melhor atendimento à população mais pobre, nos setores em que mais precisa: saúde, segurança pública e educação.