O ranking internacional de corrupção, divulgado nesta terça-feira pela Transparência Internacional, foi criticado pela ONG Transparência Brasil. Segundo o diretor-executivo da entidade, Claudio Weber Abramo, a classificação do órgão, que colocou o País em 75º lugar entre 180 nações analisadas pela qualidade de suas instituições, “não quer dizer nada”. “Não há dado que justifique o indicador, é simplesmente arbitrado”, disse.

O Brasil subiu cinco posições no ranking anual de corrupção compilado pela organização Transparência Internacional (TI), divulgado em Berlim, Alemanha. A nação recebeu este ano 3,7 pontos, numa escala de 0 a 10, passando da 80ª colocação recebida em 2008 e compartilhando a posição com Colômbia, Peru e Suriname. A Nova Zelândia ficou em primeiro lugar.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, afirmou que o resultado se deve à “atuação do Tribunal de Contas da União”. “A ação do TCU tem gerado grande economia para o país”, disse. Entretanto, relativizou o resultado dizendo que “o 80° ou 75° lugar são posições deploráveis”.

Para haver uma percepção de melhoria na transparência, Guerra acredita na necessidade de punição de envolvidos em irregularidades. “Para haver melhoria na percepção da corrupção tem que haver investigação e punição. Um dos problemas básicos da percepção da corrupção no Brasil é a questão da punição. Muitas dúvidas são levantadas, muitas irregularidades são examinadas, mas a punição não acontece”, diz.

Para Abramo, qualquer tentativa de melhorar os eventos de corrupção passa por uma melhora do sistema jurídico, das instituições, da imprensa e da sociedade de maneira geral. “Uma mudança da Constituição e dos mecanismos gerenciais seria fundamental”, disse o especialista em corrupção.
Terra