O vaivém de pessoas pelas ruas confunde quem chega a Guayaramerín, na fronteira do Brasil com a Bolívia. No porto, às margens do Rio Mamoré, o movimento de passageiros é intenso.

Filas são formadas à espera de uma vaga para voltar a Guajará-Mirim, em Rondônia, onde outro tanto de pessoas aguarda a vez de embarcar para o país vizinho. Os barcos lotados, o calor intenso e o perigo na travessia não impedem que mais de mil brasileiros cruzem diariamente a divisa para ir às compras.

A muamba é o comércio que pode ser visto. Mas ali há outro, oculto e ainda mais lucrativo. A região Norte é uma das rotas de entrada da pasta de cocaína, a substância que, refinada no Centro-Oeste e no Sudeste, dá origem ao crack.

A droga, antes vista apenas nos centros urbanos, invade o interior do país. Chega de Norte a Sul, onde as autoridades já tratam o tema como epidemia, um problema grave de saúde pública.

A mais recente tragédia brasileira é uma pedra comprada por R$ 5 e consumida por ricos e pobres. Para revelar as histórias que envolvem o crack — a pedra da morte — desde a entrada no país até o vício devastador, 10 repórteres do Correio, do Estado de Minas e do Diario de Pernambuco percorreram 6.792km.

Equipes de jornalistas estiveram no Plano Piloto, nas regiões administrativas do Distrito Federal, nos municípios das fronteiras do Norte e do Centro-Oeste, e nas capitais e nos interiores gaúchos, paulistas, mineiros e pernambucanos.
CorreioBraziliense