O inquérito da Polícia Civil baiana sobre a investigação de um suposto esquema de corrupção cita entre os envolvidos Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB na Bahia e irmão do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Na terça-feia, 24, a polícia prendeu sete pessas suspeitas de evolvimento com a cobrança de propinas para a concessão de linhas de transporte rodoviário intermunicipal pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). Entre os presos estava o ex-diretor-executivo da Agerba, Antônio Lomanto Netto, indicado por Geddel ao cargo.

De acordo com o relatório, elaborado a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, Lúcio seria citado nas conversas gravadas por pseudônimos como “gordo”, “gordinho” e “gordo jovem”.

Lúcio considera “uma injustiça” ser apontado como participante no esquema, por não ter sido flagrado em nenhuma conversa. Ele voltou a apontar viés político na investigação, como fizeram colegas de partido. “Não sou o único gordo da Bahia”, ironizou.

O nome de Lúcio vem à tona um dia após a prisão, na terça-feira do ex-diretor-executivo da Agerba, Antônio Lomanto Netto, que foi indicado por Geddel ao cargo. Ele e mais sete pessoas foram alvo da mesma investigação que citou o nome de Lúcio. Segundo a polícia, Lomanto Netto seria o comandante do esquema de cobrança de propinas para a concessão de linhas intermunicipais sem licitação.

O episódio de terça elevou a tensão e acirrou a ruptura, no cenário político baiano, entre o PMDB de Geddel o PT do governador Jaques Wagner. Ambos eram aliados políticos até agosto, quando o ministro decidiu deixar a aliança para lançar sua pré-candidatura ao governo da Bahia. Lomanto Netto deixou a direção do órgão, junto com outros quadros do PMDB, depois que PMDB e PT romperam relações no Estado.

Todos os detidos foram liberados na noite de terça-feira, por liminar expedida pela juíza da 1ª Vara Criminal de Salvador, Leonildes Bispo dos Santos Silva, que revogou os mandados de prisão temporária dos suspeitos.
Estadão