O governador Jaques Wagner disse, nesta quarta, em Itabuna, que não está preocupado com a insatisfação do servidor estadual em relação ao reajuste salarial de 4%, cujo projeto está previsto para ser votado na próxima terça-feira.

Wagner justificou o aumento linear em função da inflação anual de 3,7% e disse que o percentual é o mesmo concedido por outros estados e dentro do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O reajuste, que representa um impacto em torno de R$ 334 milhões nos cofres do Estado, já estava previsto no orçamento do próximo ano. Os deputados governistas se esforçavam, ontem à noite, para garantir a aprovação do orçamento em primeiro turno. Até o fechamento da edição a matéria não foi votada.

“Não sei se esse percentual é muito diferente da iniciativa privada”, afirmou Wagner, acrescentando que houve movimentação de carreiras e uma parte dos servidores terá reajuste real acima da inflação. Segundo o governador, não custa lembrar aos servidores que o governo começou a se recuperar da crise em outubro e novembro, com receita fiscal interna melhor que a do mesmo período de 2008.

Mobilização – Servidores públicos não gostaram do aumento linear para todas as categorias e já convocaram uma reunião, hoje à tarde, na sede do Sindsaúde, para reavaliar os acordos que a Secretaria da Administração fechou nas negociações da Mesa Setorial com as diversas categorias.

Nesta quarta à tarde, também, um grupo de sindicalistas procurou o líder do governo, deputado Waldenor Pereira (PT), e o vice-líder Álvaro Gomes (PCdoB) para intermediar uma reunião com o secretário de Relações Institucionais, Rui Costa. “Queremos tempo para discutir o projeto que sequer foi analisado pelos servidores”, queixou-se Marinalva Nunes, diretora da Federação dos Trabalhadores Públicos da Bahia (Fetrab).

Uma das críticas é que o projeto concede o reajuste de 4% nos salários e majora as gratificações no mesmo percentual. Na avaliação da sindicalista, uma manobra do governo para atingir o valor do salário mínimo nacional, que sairá de R$ 465 para R$ 507. “Gratificação não se incorpora ao salário nem significa ganho real”, pontuou.

Marinalva também diz que o projeto reajusta o salário de aposentados e pensionista do Estado com base na previdência do trabalhador em geral, e acusa o governo de “privilegiar um grupo de gestores”, que terá os vencimentos reajustados em outro projeto enviado pelo Executivo à Assembleia, onde estão previstos gratificações e Condições Especiais de Trabalho (CET).
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