Dois membros da delegação de futebol do Togo morreram após o ataque de sexta-feira (8) contra o ônibus em que viajava a seleção para disputar a Copa Africana de Nações, disse o goleiro do time Kossi Agassa à rádio francesa France Info. O motorista do ônibus também morreu, totalizando três vítimas.

“Acabamos de ser informados que o assistente do técnico e nosso assessor de imprensa morreram”, afirmou Agassa.

O diretor regional da companhia de assistência médica internacional SOS em Johanesburgo afirmou mais cedo que um paciente havia morrido. “Houve um pedido para levar dois membros do time para a África do Sul. Um desses pacientes morreu e o segundo está sendo removido por ambulância aérea e estará no hospital de Milpark”, disse Fraser Lamond. “Eu não sei se ele era um jogador ou não.”


Homens armados abriram fogo contra o veículo que levava a seleção de futebol do Togo para a Copa Africana de Nações, em Angola, na sexta-feira.

Desistência

Após o ataque, a realização da Copa foi confirmada pela organização da competição, mas a desistência da seleção do Togo de participar já é dada como certa.

o capitão da seleção do Togo, Emmanuel Adebayor, está saindo de Angola, seguindo para casa e não vai participar da Copa Africana de Nações. A informação foi dada no sábado (9) pelo Manchester City, clube pelo qual joga.

“Ele está saindo de Angola, mas não temos certeza sobre o destino exato de seu voo”, afirmou o porta-voz do City Simon Heggie.

“A comunicação entre o clube e Emmanuel esteve aberta o dia todo, nós falamos com seus conselheiros e sua namorada e ele está voltando para casa.”

A federação de futebol de Togo vai consultar os jogadores antes de decidir se abandona a Copa Africana de Nações, disse o chefe da área de comunicação do grupo.

A delegação do Togo está a caminho do hotel onde o time está para conversar com os jogadores e nenhuma decisão foi tomada até agora, disse Messan Attelou. “Vamos agora ver e conversar com os jogadores e, então, tomar uma decisão sobre se vamos ou não participar da competição”, acrescentou.

Alerta e ataque

Segundo uma autoridade ligada ao futebol africano, a seleção do Togo foi advertida a não viajar de ônibus para a província angolana de Cabinda.

O ataque ocorreu cinco meses antes de a vizinha África do Sul sediar a Copa do Mundo, tornando-se o primeiro país do continente a organizar o evento.

Virgilio Santos, uma autoridade do COCAN, o comitê organizador da Copa Africana de Nações, disse ao jornal “A Bola” que nenhum time deveria viajar de ônibus por Angola.

“Pedimos que todas as delegações nos informassem quando chegariam e fornecessem os números de passaportes de seus jogadores. Togo foi o único time que não respondeu e não informou o COCAN que estava vindo de ônibus”, afirmou Santos.

“As regras são claras: nenhuma seleção deve viajar de ônibus. Eu não sei o que os levou a isso.”

Copa do Mundo

O ex-técnico do Togo Otto Pfister afirmou que o ataque prejudica a Copa do Mundo na África do Sul.

“Isso é um grande golpe para a África. Obviamente isso será diretamente ligado à Copa do Mundo agora”, disse Pfister à agência de notícias esportiva alemã SID.

O capitão e astro da equipe togolesa, Emmanuel Adebayor, que estava no ônibus mas escapou sem ferimentos, concordou que o ataque prejudica a imagem africana.

“Continuamos repetindo que, África, nós temos que mudar nossa imagem se quisermos ser respeitados e, infelizmente, isso não está acontecendo”, disse Adebayor à BBC. “Muitos jogadores querem desistir (do torneio). Eles viram a morte e querem voltar para suas famílias.”

Qualquer repercussão do ataque será observada de perto pela África do Sul, que gastou pelo menos 13 bilhões de rands (R$ 3 bilhões) em novos estádios e infraestrutura para a Copa.
G1