A fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu em decorrência do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti nesta terça-feira.

De acordo com a pastoral, Zilda estava no país desde a última segunda-feira, para participar de um encontro com religiosos.

Nascida em 1934, ela era representante da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) e fundadora também da Pastoral da Pessoa Idosa. Zilda é irmã do arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns.

Zilda ainda era membro do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Tia do senador Flávio Arns (PSDB-PR), viúva e mãe de cinco filhos, ela era empenhada em causas ligadas ao combate à mortalidade infantil, desnutrição e violência familiar. Ela chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006 e recebeu outros diversos prêmios.

Zilda acreditava que a educação é a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças.

Desenvolveu uma metodologia própria de lidar com a solidariedade entre as famílias mais pobres. Costumava citar sempre o milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram 5.000 pessoas, como narra o Evangelho de São João.

A Pastoral da Criança, Zilda criou em 1983 juntamente com Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo primaz de Salvador (BA) e presidente da CNBB. No mesmo ano, deu início a experiência de um projeto-piloto em Florestópolis, no Paraná.

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda estão o Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde, em 2002; o Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha; a Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000; o Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club Internacional; e o Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.

No ano passado, uma ONG ligada a Zilda foi investigada pelo uso de recursos públicos de forma irregular no pagamento de dirigentes da instituição. A Justiça Federal no Paraná condenou a ONG a devolver recursos públicos usados.
Folha