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Caso da BBBoa expõe preconceito e descaso com as policiais militares

A perícia da soldado da PM baiana Anamara Cristina de Brito Barreira, 25 anos, em trocar de roupa debaixo dos edredons no Big Brother Brasil foi aprimorada, junto com técnicas de tiro e revista, desde 2007, quando ela ingressou na vida militar.

O período em que ficou no curso de formação, em Paulo Afonso, foi o mais difícil, pois teve que morar no batalhão e dividir banheiro e alojamentos com os homens.

A rotina de uma policial feminina nos batalhões baianos é digna de uma participante do reality show da TV Globo, mas em vez de câmeras, o que vigia as PMs é a presença masculina. Além da estrutura física, as mulheres, que representam cerca de sete mil dos 30 mil integrantes da corporação, ainda precisam driblar o uso de equipamentos que não são adequados às formas femininas.

O presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar (APPM), soldado Agnaldo Pinto, destaca que as mulheres encontram dificuldades dentro da corporação. “Na maioria dos batalhões, não há áreas reservadas para as mulheres. Elas precisam ficar combinando hora para tomar banho, trocar de roupa, é humilhante”, diz.

Entre os praças, dos 7,3 mil associados da APPM, 600 são mulheres. “No trabalho de campo, somos todos iguais, mas as mulheres têm especificidades no corpo. Os coletes à prova de balas, por exemplo, não são adequados às formas femininas”, afirmou Pinto.

Jeitinho
Uma soldado, 39 anos, lotada há sete em um batalhão na Cidade Baixa, conta que precisa colocar algodão entre os seios para não sentir incômodo.“O colete aperta os seios, coloco algodão enrolado em uma meia para não doer”, revelou .

O diretor de comunicação da PM, coronel Hélio Gondim, reconheceu a existência dos problemas estruturais para as mulheres da corporação. “Se eu dissesse que em todas as unidades da PM a estrutura é adequada, não estaria informando a realidade. O que posso garantir é que há uma preocupação do comando para atender às especificidades de cada militar”, afirma.

Estrutura
Quanto à falta de banheiros para mulheres na PM, Gondim diz que a falha existe em diversos locais do convívio social. “Na casa da gente, o banheiro é unissex. Em várias empresas, não há banheiro para cada um. A corporação tem cuidado, sim, com as mulheres”, justifica.

Quanto aos coletes, Gondim reconhece que o número de equipamentos é insuficiente para todos os militares.“APM se esforça para oferecer os equipamentos de proteção individual para todos, mas sabemos que ainda não atendemos a 100% do efetivo”.

O presidente da APPM critica a postura da corporação. “O pior é que sabemos que a polícia não vai resolver os problemas estruturais tão cedo. Além disso, ainda convivemos – homens e mulheres – com os baixos salários”, afirma soldado Pinto. Já Gondim afirma que existe um grupo da PM, o Maria Felipa, responsável por desenvolver políticas para as policiais femininas.

Anamara e a PM
Quando optou por enfrentar as dificuldades da PM, Anamara não o fez por sonho. “Ela queria um emprego que tivesse renda fixa com concurso. Se inscreveu sem achar se iria passar, é uma carreira que não tem nada a ver com ela”, contou a universitária Amanda Pinto Monteiro, amiga que divide apartamento com a militar há três anos.

A professora Laudicéia Soares de Oliveira, que desenvolveu mestrado na Ufba em relações sociais de gênero no Centro de Formação e Aperfeiçoamento da PM, explica
que a maioria das mulheres que entram na PM toma essa decisão em busca da estabilidade, sobretudo por conta do desemprego“, diz.

Para a pesquisadora, o sonho não é muito levado em consideração para o ingresso feminino na PM. “A maioria delas, antes de entrar na corporação, conta que tinha insatisfação com a vida profissional”, completa.

PM contesta frase de major
Segundo o diretor de comunicação social da Polícia Militar, coronel Hélio Gondim, a polêmica declaração do major Silvio Correia, presidente da Associação dos Oficiais da Bahia (Força Invicta), sobre Anamara não reflete o pensamento da corporação. Em entrevista publicada na edição de quarta-feira do CORREIO, Correia chama a baiana de “vagabunda” e que ela expõe a PM.

“O major falou enquanto pessoa física, e não como instituição. A corporação não tem que se manifestar sobre essa declaração, que teve cunho pessoal”, afirmou Gondim. Ao comentar a participação de Anamara, o coronel foi diplomático: “Ela está de férias e a PM só poderia agir se ela estivesse cometendo algum crime”, disse.

O tenente Everton Uzêda Lima, que pertence à Força Invicta, mostrou-se preocupado com as declarações do presidente da associação, composta por 1.383 integrantes. “A Anamara é baiana e temos que apoiá-la para que consiga vencer. O major falou de forma discriminatória sobre a policial. Na nossa corporação não tem isso. No estatuto da PM não consta diferença de tratamento para a mulher”, argumentou.

Após a declaração do major, segundo Uzêda, o apoio da tropa à BBBoa aumentou. “Anamara ganhou uma estrela eleitoral (Ivete – que manifestou ao CORREIO apoio à conterrânea). Vários cabos, sargentos, tenentes, coronéis eleitorais que vão torcer por ela”, destacou.

Na edição de ontem do CORREIO, o major Correia fez questão de esclarecer a declaração. “Não me recordo de ter dito essa frase (Essa vagabunda está expondo a corporação). Mas se dentro do contexto da conversa acabei falando, não foi com a intenção de tratar a policial de forma pejorativa”, afirmou.

A vice-prefeita de Juazeiro, Maria Gorete, divulgou ontem nota repudiando as declarações do major. “Não posso me calar. Li, chocada, as declarações preconceituosas e extemporâneas de um major da polícia sobre a nossa juazeirense Anamara”, disse a política da cidade natal da BBBoa.
Correio*

1 resposta para “Caso da BBBoa expõe preconceito e descaso com as policiais militares”

  • luciano disse:

    Em Conquista a Policia Militar espanca os cidadãos, em Juazeiro querem fazer o mesmo com os próprios Policiais,
    Alguma coisa tem que ser revista ai.
    Alguns resíduos da época da ditadura militar tem que ser arrancados definitivamente da sociedade brasileira, “baiana” atual. O mundo mudou as instituições devem acompanhar essa mudança. Principalmente as que “servem” à sociedade

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