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Beyoncé – Ela está no comando

Época

O que explica tamanho sucesso? Por que tanta gente a considera a maior estrela musical desta década? Só seu rebolado não seria capaz de mantê-la por tanto tempo no topo.

Para avaliar Beyoncé, primeiro é preciso entender sua trajetória. Seu pai, Matthew Knowles, foi o primeiro a enxergar o talento bruto oculto na garota tímida de 7 anos.

Não agiu com cobiça e agressividade, ao estilo de Joe Jackson, pai de Michael Jackson (1958-2009), que dava surras no futuro rei do pop para obrigá-lo a treinar, cantar, moldar-se ao grupo de irmãos. Matthew jamais bateu em sua filha mais velha nem a obrigou a trabalhar.

Ao lado de sua mulher, Tina, ajudou Beyoncé a tomar coragem no início de sua formação. Com esse incentivo, ela se inscreveu no show de talentos de sua escola, a St. Mary, em Houston. A canção que escolheu para soltar a voz – precocemente potente – foi “Imagine”, de John Lennon. Foi ovacionada. E ganhou o concurso.

Era apenas o primeiro passo. Formou um grupo com outras cinco amigas que logo seria batizado como Destiny’s Child (Criança Predestinada). Em 1995, seu pai abandonou o emprego na Xerox para dedicar-se em tempo integral a empresariar o grupo. Com uma mistura de balanço negro e crítica à guerra entre os sexos, Destiny’s Child emendou sucessos.

Seu segundo álbum, The writing’s on the wall, de 1999, repleto de canções dançantes, vendeu mais de 7 milhões de discos. A primeira desilusão amorosa de Beyoncé teve impacto em sua vida pessoal e profissional. Amava um garoto que namorou dos 12 aos 19 anos, quando ele terminou com ela. Muitas das letras agressivas escritas por Beyoncé no início da carreira se justificam por essa desilusão.

Entre 2002 e 2004, em meio a rumores de disputas por espaço dentro do grupo, as meninas do Destiny’s Child fizeram uma pausa para tocar projetos solos. Beyoncé alavancou sua carreira com o álbum Dangerously in love (2003), alçado ao topo da Billboard. Foi nesse período que conheceu Jay-Z (leia o quadro) .

Em 2004, o grupo voltou a se reunir. Destiny fulfilled, quarto CD da banda, disparou mais hits, como “Lose my breath” e “Soldier”. Não era só a coreografia sexy das meninas que fazia sucesso. Enquanto outras “girl-bands” igualmente talentosas falavam de desilusão amorosa e da submissão feminina (basta lembrar All Saints com a balada “Never ever” ou Spice Girls com “Holler”), Beyoncé e sua turma afrontavam os homens. Em “Bills, bills, bills”, perguntam: “Você paga as minhas contas?”. Para em seguida responder: “Acho que não”.

Na carreira solo, Beyoncé manteve o hábito de acompanhar as músicas com coreografia, combustível para suas diatribes de mulher independente. Segura de si, faz um inédito contraponto à provocação exibicionista de seu corpo, como se dissesse: “Está vendo o que perdeu?”. Talvez para não chatear o pai, diz que assume uma persona toda vez que sobe ao palco: a da provocante (e provocadora) Sasha Fierce. Ela dá nome a seu mais recente álbum e a sua turnê.

Beyoncé encarna um novo tipo de “girl power”. Como no rap, Beyoncé usa o pop, o soul e o hip-hop para distribuir suas farpas feministas. Mas sem perder a feminilidade. Preconiza a insubmissão com danças sensuais. Quando conheceu Jay-Z, em 2002, encontrou nele um cúmplice libertário. “Crazy in love” (Louco no amor), sobre a igualdade entre os sexos, foi o êxito que cantaram juntos. Beyoncé tem hoje o sucesso que sua colega Britney Spears tinha há dez anos.

Britney chamou a atenção exibindo seus dotes físicos com um discurso pós-feminista, mas que, no fim das contas, beirava a neossubmissão. Beyoncé respondeu à duvidosa estética de Britney na canção “Lose my breath”, que estourou em 2004. A música tem melodia semelhante a “I’m a slave 4 U”, que Britney lançou em 2001.

A batida funkeada e as respirações ofegantes entre os versos são quase idênticas. No entanto, a mensagem que passam são opostas. Enquanto Britney se declara uma “escrava para você”, Beyoncé ameaça: “Estou começando a achar que sou boa demais para você. Todo esse papo, mas parece que você não consegue cumprir”.

Beyoncé assumiu uma modalidade erótica do feminismo. Ela adota clichês machistas – e os reverte contra os homens. É, ao mesmo tempo, mulher objeto, com sua provocação sensual, e sujeito da relação, com seus recados de independência. “É importante que as mulheres conheçam sua força”, disse, numa recente entrevista sobre o disco que originou a turnê.

“É desse poder que estou falando. Minha música é para as mulheres. Gosto dos rapazes, e canto muitas canções sobre homens no meu álbum. Quando você encontra um homem bom, fica com ele. Mas se só vê pela frente menininhos, então precisa lhes dar um corretivo. É o que eu faço.”

A atitude explica muita coisa, mas seria de pouca valia caso Beyoncé não transbordasse talento musical. Ela possui uma voz grave, potente e extensa, qualidades que fizeram os especialistas compará-la às maiores estrelas da música popular americana. Algumas delas – Aretha Franklin, Tina Turner, Whitney Houston e Etta James – são citadas por Beyoncé como influências.

Os críticos mais entusiasmados dizem que ela tem tudo para superar Madonna ou – heresia das heresias – Michael Jackson. “Ela é completa. Eu diria que Beyoncé é um Michael Jackson de saia”, diz Ivete Sangalo, a cantora de maior sucesso do Brasil, cuja empresa investiu nos shows de Beyoncé aqui.

Em 20 anos de carreira, Beyoncé emplacou nove sucessos na parada da Billboard (leia o quadro abaixo) e já ganhou 16 prêmios Grammy. Nessa escala de reconhecimento, só está lhe faltando um Oscar. Já foi elogiada por sua atuação em diversos filmes, entre eles Dreamgrils – em busca de um sonho (2006) e Cadillac Records (2008). Neste, interpretou a jovem Etta James, que, a certa altura, sofre uma overdose de heroína.

“Foi uma cena difícil porque eu nunca usei drogas”, disse Beyoncé. Ela espera surpreender com outro papel dramático, de Sharon, uma mulher traída no thriller Obsessiva, com estreia no Brasil prevista para julho. Eclética como ela só, diz que gostaria também de atuar como Bond girl.

Beyoncé também se caracteriza pelo que não faz. Ela nunca se autodenegriu como Britney Spears, nunca foi manchete de jornais pelas brigas com o namorado (como Rihanna), nunca se meteu em polêmicas (como Madonna). É impressionante como ela faz sucesso em todas as iniciativas – do casamento ao cinema, da dança à música.

Não é só o talento, inquestionável. Sobre Beyoncé, no mundo pop, aplica-se o mesmo segredo de sucesso do então candidato a presidente dos Estados Unidos Barack Obama. “Eu falo, e cada pessoa me interpreta do jeito que mais lhe convém.” Beyoncé parece cantar – para homens, mulheres, gays, adolescentes, negros, brancos – tudo o que eles querem ouvir.

1 resposta para “Beyoncé – Ela está no comando”

  • AlexBemLoco disse:

    Concertesa beyonce vai superar madona porque ela é ambiciosa, extremamente competitiva e tem talento poder e força o suficiente para isso amo a beyonce não só por ser linda e gostosa mais tambem pelo seu estrondoso talento que me sedus segamente.

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