Presidente do Conselho Pontifício diz que Igreja é alvo de “inimigos”
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, falou das denúncias de pedofilia que envolvem religiosos dizendo que a Igreja Católica têm inimigos assim como os tinha Jesus.
“A Igreja sempre teve inimigos, não só hoje mas também no passado, em todos os séculos, e assim será no futuro.
Nestes dias, nos quais não só o papa [Bento XVI] mas toda a Igreja e assim seus fieis é frontalmente atacada e denunciada por alguns influentes meios de comunicação, de um modo que ultrapassa qualquer lealdade e verdade, o sentimos de novo”, declarou o cardeal.
O Vaticano vem sendo alvo de denúncias de abuso sexual contra menores que envolvem padres católicos em vários países, entre os quais Alemanha, Irlanda e Estados Unidos. Recentemente, suspeitas ligadas diretamente ao Pontífice foram citadas em reportagens do The New York Times e do The Washington Post.
O presidente do conselho pontifício admitiu que “a Igreja hoje precisa de uma humilde limpeza interna da sujeira inaceitável”. “Mas se nos convertermos e purificarmos, ela sairá ao fim da atual crise renovada, mais esplêndida e bela”, continuou.
“Não há motivo para se desencorajar ou ficar abatido. Sabemos que as pessoas que benzeram Jesus com cânticos e ramos no final tiveram razão”, assegurou Kasper, fazendo referência ao Domingo de Ramos, celebrado ontem.
“Os crentes venceram, porque a Via-Sacra não acabou com a crucificação e com a ressurreição da Páscoa”, continuou o cardeal, segundo reportou a agência católica Sir.
De acordo com uma entrevista publicada hoje pelo jornal italiano La Stampa, o religioso também comentou que não acredita que haja relação entre o celibato dos sacerdotes e os abusos sexuais contra menores.
“Todos os especialistas documentam que a enorme maioria dos casos ocorre nas famílias e não no âmbito eclesiástico”, rebateu ele. Seria, de acordo com Kasper, “uma instrumentalização dos casos de pedofilia no clero”.
“Invocar o celibato é um verdadeiro e próprio abuso dos abusos”, afirmou, garantindo que a condição “não é um dogma”, mas uma “tradição muito antiga que conserva intacto o próprio sentido, ou seja, não há motivo para rever a legislação ou modificar o estado das coisas”.
Para o cardeal, é sobretudo “inoportuno” levantar a questão “no clima atual, envenenado de polêmicas e escândalos referentes aos abusos sexuais cometidos por sacerdotes e religiosos”.
ANSA














