Mais que alterar positivamente as estatísticas de filiados, a entrada da senadora Marina Silva (AC) ao PV e a construção de sua pré-candidatura à Presidência renderam à sigla projeção nacional e reconhecimento internacional inéditos desde a sua criação, em 1986.

A média de filiações no PV até agosto de 2009, mês no qual Marina assinou a ficha de filiação, era de 500 pedidos, segundo a Direção Nacional da sigla. Em setembro, a média subiu para 8.000 pedidos por mês. Na esteira do movimento de Marina, ao menos 50 aliados diretos da senadora filiaram-se –muitos vindos do PT. Hoje a média mensal é de 1.200 pedidos.

O assédio aos verdes foi detectado também na internet. Dos 12 mil pageviews diários em agosto, o site do PV passou a ter 30 mil pageviews por dia no mês seguinte à filiação de Marina. Hoje a média estabilizou-se em 17 mil pageviews/dia.

“No final de 2009 houve um boom acentuado de filiações, mas é difícil contabilizar isso em todos os Estados, pois a informatização ainda não atinge todo o país”, diz o coordenador da pré-campanha de Marina, o vereador Alfredo Sirkis (PV).

Candidato do PV à Presidência em 1998, Sirkis detecta uma aproximação ao partido de setores sociais que até então ficavam à margem da política. Marina, segundo ele, atraiu ao entorno do PV personalidades como o cineasta Fernando Meirelles, organizações ambientais, empresários, intelectuais e acadêmicos até então distantes de instituições partidárias.

Boom verde

O PT apresentou, da eleição do presidente Lula em outubro de 2002 até outubro de 2009, um crescimento de 44% nas filiações. No PV, considerando o mesmo período, o número de filiados cresceu 170%. Em outubro de 2009, o PV atingiu a marca de quase 260 mil filiados. Fora do poder, como contraponto, o então PFL (hoje DEM) teve uma queda de 7,5% no montante global de filiados.

Obter precisão numérica de filiados a partidos no Brasil ainda é tarefa hercúlea. Segundo o dado mais recente do TSE, o PV tem hoje 242.962 filiados, ainda um nanico se comparado a partidos como o PT, que tem mais de 1 milhão de filiados.

O PV organiza agora um recadastramento nacional. Para os dirigentes da sigla, só após a eleição de outubro deste ano será possível medir mais matematicamente o efeito Marina.

“Pessoas interessantes da sociedade que não faziam política porque achavam a vida partidária uma chatice, resolveram dar a sua contribuição motivadas pela decisão de Marina”, disse Maurício Brusadin, do PV-SP.

Como exemplo, ele cita o ex-presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, que até então exercia a política ambientalista distanciada de alguma ligação partidária. A filiação do empresário Guilherme Leal, copresidente do Conselho de Administração da Natura, também embala empresários paulistas a se envolverem mais na política. “Em São Paulo também foram significativas as adesões do corpo docente de universidades.”
Folha