Os episódios de violência ocorridos no Ba-Vi do último domingo, 25, culminando com o tiro disparado contra a cabeça do adolescente Wesley Oliveira Almeida, de 14 – que continua internado em estado delicado –, reacenderam a discussão sobre a violência nos estádios de futebol provocados pelas torcidas organizadas.

Segundo o promotor José Emanuel Araújo Lemos, do Ministério Público Estadual, que atua no grupo de combate à violência nos estádios, caso sejam confirmadas as participações das uniformizadas nas ações de violência ocorridas no último domingo, as medidas do poder público podem resultar em ações severas.

“Estamos ainda apurando o incidente. A Polícia Civil está formulando o inquérito e, caso sejam fornecidos elementos que apontem para esse quadro de violência das organizadas, vamos tomar providências que podem ir desde medidas cautelares, pedindo o afastamento das mesmas nos estádios, como a extinção delas, ou enquadrar todos os seus membros como quadrilha ou bando”, afirma.

Ainda de acordo com o promotor, na reunião da próxima quinta-feira, 29, no Quartel dos Aflitos, às 10 horas, com a presença do MP, da Polícia Civil, da Polícia Militar, e com os presidentes das torcidas organizadas Bamor (Bahia) e Os Imbatíveis (Vitória), para traçar metas de segurança para o clássico do dia 2 (no Barradão), o assunto deverá ser novamente tratado.

“Fatalmente colocaremos esses episódios em pauta. Sou adepto do diálogo e por isso temos uma comissão permanente para tratar do assunto. Acredito que seja muito mais fácil coibir a violência se as organizadas participarem do processo do que se optarmos pela exclusão. Em Salvador, a briga das torcidas se confunde muito com a violência cotidiana. Inserindo as torcidas na discussão fica mais fácil amenizar o problema”, se posiciona.
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