Poder não é genético, mas hereditário em boa parte da política brasileira. A Bahia, por exemplo, é pródiga na formação de clãs políticos familiares, que se mantêm no poder há anos, como os das famílias Magalhães e Carneiro – respectivamente de Antonio Carlos Magalhães (morto em 2007) e do senador João Durval Carneiro (PDT).

O que não falta, também, é político querendo eleger seus filhos para manter seu poderio. Todos, porém, dizem que entram na vida pública para o bem da coletividade.

Nessa ala se enquadram os casos recentes dos filhos dos deputados federais João Leão (PP) e Mario Negromonte (PP) – Carlos Felipe Leão (PP), o Cacá Leão, e Mário Negromonte Junior (PP) – que, pela primeira vez, são prováveis candidatos a deputado estadual. Eles são bons exemplos de que, para muitos que têm parentes políticos – com base eleitoral estruturada e o caminho das pedras pronto para patrocínio de campanha – fica fácil entrar na vida pública.

Cacá aguarda decisão do PP para ver se a candidatura vai esbarrar na do deputado estadual Roberto Muniz , alto clero no partido, que teria mesma base eleitoral que a sua, em Lauro de Freitas, onde seu pai, João Leão, foi prefeito. Por que quer ingressar na vida pública? “Levanto a bandeira ampla dos jovens, do mercado de trabalho, da infraestrutura de estradas no Estado”, alega.

Ele admite, porém, que ser filho de deputado federal abre portas e, mesmo debutante, já fala como político de verdade: “Fui criado numa escola que não é feita de promessas, mas de realização”. E o pai, João Leão, ainda diz que preferia que ele fosse empresário, “como o filho de José de Alencar (PRB) que preside a Coteminas”.

Corporativismo – Famílias com tradição na política têm, é claro, em todo lugar boas condições competitivas nessa área, diz o cientista político Paulo Fábio Dantas (ver artigo na pagina seguinte): “Mas isso não se deve a nenhuma razão específica do sistema político, ou da tradição política. É um traço corporativo da sociedade. Basta ver o que ocorre entre advogados, médicos, dentistas” .

Corporativismo, sim, e dinheiro para colocar em prática o projeto. Da parte dos clãs já consolidados, seus principais expoentes, hoje, são o senador ACM Junior e o deputado federal ACM Neto (DEM), do patriarca Antonio Carlos Magalhães. Tem também o vereador Paulo Magalhães Jr., primo de Neto, e seu pai, o deputado federal Paulo Magalhães, que concorre à reeleição esse ano.

O prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), por sua vez, é um dos filhos do senador João Durval Carneiro (PDT), assim como o deputado federal Sergio Carneiro (PT). A família tenta, agora, emplacar pela segunda vez Luiz Alberto, o Lue, (PSB), no Legislativo estadual. Além disso, a esposa de João, Maria Luiza (PSC), foi eleita deputada estadual com 56.563 votos em 2006. Este ano, deve tentar a reeleição. Ligado à família está o deputado federal Sergio Brito (PDT), casado com a irmã de Maria Luiza. Enquanto o clã de ACM está no DEM – à exceção de Paulo Magalhães Jr. que mudou em setembro para o PSC – os Carneiro são ecléticos: PDT, PMDB, PSC, PT e PSB.

Embora não sejam numerosos, não se pode esquecer dos Vieira Lima. Afrísio foi vereador e deputado estadual e federal. Seu filho, Geddel, deputado federal. O irmão de Geddel, Lúcio, era chefe de gabinete do então deputado Geddel. Quando o irmão virou ministro e se licenciou da presidência estadual do PMDB, ele assumiu a presidência do partido e desde então se prepara para herdar do irmão bases eleitorais para se eleger deputado federal. Geddel, este ano, concorre ao governo do Estado.
ATarde