Julio César Cardoso*

É compreensível que um parlamentar ficha suja venha classificar a imprensa de parcialidade. O deputado Genoino (PT-SP) tem muito topete para questionar a liberdade de manifestação da mídia. Logo ele que aprontou das suas no caixa 2 do PT?

E se não fosse o indecoroso ex-deputado Roberto Jefferson, com a corda no pescoço, denunciar a quadrilha instalada no PT (o mensalão), aliciando parlamentares para aprovar as medidas do governo, como a taxação injusta dos inativos e pensionistas da Previdência Social, divulgada pela “mídia parcial”, a sociedade continuaria não sabendo da podridão interna instalada na política. E isto lhe dói: ter uma mídia investigativa a serviço da sociedade.

Não se trata, portanto, de mídia política parcial. Infelizmente, o deputado Genoino e outros ainda são políticos brasileiros pelas seguintes razões: pela falta de cultura política da maioria dos eleitores, que elegem qualquer um sem ter conhecimento da vida pregressa do candidato, bem como graças ao defectivo voto obrigatório constitucional (uma imoralidade dos constituintes de 1988), que serve de moeda de troca entre incautos eleitores e candidatos fajutos, carreiristas, cabideiros de emprego e indecorosos, que abiscoitam votos por promessas recompensadoras a esses pobres eleitores.

O deputado Genoino fica muito incomodado pela divulgação jornalística de sua corrupção política e de seu partido. Se tivesse moralidade na veia e respeito ao povo por seu envolvimento no caixa 2 do PT, por isso é processado na lenta Justiça brasileira, já deveria ter desistido da política para se reconciliar com Deus por seus pecados. Mas ainda há tempo. Fonte: “O Globo – Em debate sobre liberdade de imprensa, Genoino diz que a mídia não é imparcial (04.05.2010).”

*Julio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal