Foi dada a largada para a guerra na televisão entre os candidatos à Presidência da República. Desde a semana passada, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) já definem suas agendas de olho na aparição em blocos diários do “Jornal Nacional”, da Rede Globo.

Porém, o que mais tem mobilizado as equipes de comunicação dos aspirantes ao Planalto são as filmagens para o horário eleitoral gratuito, que começará no dia 17 e se estenderá pelos 45 dias seguintes. Entre um compromisso e outro, os candidatos dedicam boa parte dos dias da semana para a gravação das inserções.

No total, são quase 200 pessoas envolvidas na superprodução de 550 minutos de tevê, que consumirá cerca de R$ 130 milhões, o de 20% a 30% do orçamento previsto por cada campanha.

Sob a batuta do publicitário Luiz Gonzalez, o tucano Serra, que terá direito a sete minutos e 23 segundos em cada bloco diário do programa eleitoral, será o primeiro a se apresentar. De acordo com os estrategistas da campanha do PSDB, Serra tentará passar aos eleitores a imagem do “mais preparado” para administrar o País.

“Não seremos ofensivos contra os adversários e mostraremos propostas para os brasileiros”, disse o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. A campanha do “pode mais” mostrará, por exemplo, o estado das rodovias federais e usará como contraponto as rodovias paulistas. Além da infraestrutura, terão grande peso nas inserções de Serra temas como segurança, educação de jovens, moradia e saúde.

No primeiro compromisso para a gravação do programa eleitoral da terça-feira 3, Serra visitou a favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo – maior aglomerado da capital paulista, com seus 120 mil moradores. Lá, os tucanos gravaram em uma escola técnica, conhecida entre os paulistas como Etec.

Aliás, quando abordar a questão da educação para jovens, o PSDB apresentará como solução “a construção das escolas técnicas”. Diferentemente das eleições anteriores, este ano a campanha tucana também dará muita atenção às peças diárias de até um minuto exibidas ao longo da programação normal dos canais de tevê. Para os tucanos, são esses comerciais que, de fato, fixam na cabeça do eleitor a mensagem da campanha.

Dilma será a quinta a aparecer na tevê, no dia 17, e terá tempo 35% superior ao de Serra – total de nove minutos e 58 segundos por bloco. Em sua estreia no horário gratuito, a candidata do governo manterá a linha adotada pelo marqueteiro João Santana nos últimos programas.

Caberá a Lula, como se fosse um âncora de telejornal, apresentá-la à população e fazer uma espécie de passagem de bastão. Haverá ainda exaustiva comparação das conquistas do governo Lula, Dilma à frente, com as mazelas do governo FH, que serão associadas a Serra. Porém, a imagem do presidente será utilizada com parcimônia para não ofuscar sua candidata.

A ideia é neutralizar a crítica de que Dilma não saberia andar com as próprias pernas. “Não podemos deixar nossa candidata ser ofuscada, por isso temos que ter a dosagem certa da aparição do presidente”, confirma o deputado José Guimarães (PT-CE), um dos integrantes da coordenação da campanha.

Até agora, a candidata de Lula já gastou R$ 2 milhões com o início da produção da propaganda na tevê. Nos últimos dias, a petista gravou cenas no Rio Grande do Sul e no Porto de Suape (PE).

Dona do menor tempo de tevê entre os principais candidatos e da estrutura de campanha mais modesta, Marina Silva, do PV, será a oitava a aparecer no primeiro dia do horário gratuito. Para que nada saia do script, a candidata verde vem sendo assessorada pela diretora de teatro Sandra Grasso e pela fonoaudióloga Lenny Kyrillos, responsáveis por orientar a postura e a entonação de voz.

Marina gravou cenas de comícios em Bauru, no interior de São Paulo, Natal, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nos spots, o PV deverá privilegiar a biografia política de Marina e sua trajetória de vida. “O horário eleitoral é um elemento fundamental de formação de opinião. E vem sendo cada vez mais assistido pelos eleitores”, constata a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).