Entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão condenaram as declarações do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Em uma palestra na Bahia, na segunda-feira, Dirceu criticou o que chamou de “excesso de liberdade” da imprensa.

“O problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa”, afirmou o ex-ministro.

“É lamentável, não se imagina que um homem público possa fazer uma manifestação tão absurda”, disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Segundo Pedreira, não há concentração no setor, porque há mais de 3 mil jornais no País, dos quais 500 diários.

“Dirceu parece desconhecer que a liberdade de imprensa beneficia os cidadãos, não os donos dos veículos. Espero que esse pensamento não prospere no Brasil, pois se trata de uma negação da democracia.”

Já o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, concorda que existe concentração na mídia, por causa da ausência de regulação adequada. “A mídia se comporta como um partido político no Brasil, trata-se de uma opção equivocada da mídia brasileira de atuar de forma partidária”, afirma.

Segundo ele, no entanto, não se pode falar em “excesso” de liberdade de imprensa, como fez Dirceu. “Liberdade de imprensa não é uma invenção dos donos dos veículos de comunicação, é a base da democracia.”
Estadão