O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reuniu a imprensa internacional nesta segunda-feira no Palácio de Miraflores para contestar a afirmação de que os partidos opositores ganharam a maioria dos votos nas eleições parlamentares deste domingo. Chávez ainda desafiou a oposição a convocar um referendo para revogar seu mandato como presidente.


“Bom, como são maioria e eu já cumpri três anos e meio deste mandato, eu lhes faço um desafio: convoquem um referendo revogatório (…). Por que vão esperar dois anos para tirar Chávez do [Palácio de] Miraflores?”, questionou.

Chávez qualificou de “mentira” a afirmação da oposição de que obteve mais votos que o oficialismo, e reiterou que seu Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) conseguiu uma “sólida vitória” nas urnas.

“Se não conseguimos a meta máxima que tínhamos estabelecido [de obter os dois terços da Câmara] isso é outra coisa”, explicou o líder.

Segundo os resultados oficiais, os governistas obtiveram 98 dos 165 assentos na Assembleia Nacional unicameral, contra 65 cadeiras conquistadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e pelo PPT, dissidente do chavismo.

DISCORDÂNCIA

Chávez defendeu que os governistas ganharam em 18 dos 24 Estados do país em quantidade de deputados eleitos. Ele acusou a oposição de “manejar números e manipular cifras”.

“Esta é a verdade dos votos nacionais”, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) “ganhou 5.422.060 votos e eles [a aliança opositora MUD] 5.320.175″ votos, disse Chávez.

O presidente alega que a oposição, aglutinada na Mesa da Unidade Democrática (MUD), “está roubando 520.514 votos” pertencentes a vários pequenos partidos, como o Movimento Eleitoral do Povo (MEP), os Tupamaros, e inclusive o Pátria Para Todos (PPT), um dissidente do chavismo, e os contando como se fossem votos seus.

“Não têm vergonha de mentir”, disse o chefe de Estado, após a oposição ter dito que obteve 52% dos votos nacionais nas eleições parlamentares, ainda que isso não se traduza em uma maioria de deputados.

RESULTADOS

Os dois lados cantaram vitória após a divulgação de resultados nesta segunda-feira, mas Chávez perdeu a maioria de dois terços no Congresso, que lhe permitia ignorar os opositores ao reescrever leis fundamentais, apontar autoridades-chave e deixá-lo passar leis por decreto.

O partido de Chávez dominou o mandato passado, pois os rivais decidiram boicotar as últimas eleições. A única oposição vinha de cerca de dez congressistas que romperam com o bloco de Chávez.

As eleições presidenciais de 2012, no entanto, são baseadas no voto popular, e não em distritos eleitorais como as parlamentares, o que pode colocar Chávez em maus lençóis.

Apesar de os opositores comemorarem os resultados, Chávez desmentiu a afirmação de vitória no site Twitter, dizendo que a “Revolução bolivariana” está viva e bem. “Os esquálidos dizem que ganharam. Bem, deixe que ‘ganhem’ desse jeito”, escreveu.

Mesmo sem maioria no Congresso, os recém-eleitos parlamentares de oposição prometem trazer uma pluralidade de vozes ao governo para examinar as políticas de Chávez em sua campanha para transformar a Venezuela em um Estado socialista.

CHÁVEZ EM REFERENDO

Chávez já venceu, em agosto de 2004, um referendo revogatório de mandato solicitado pela oposição.

O referendo é aplicável a todos os cargos de eleição popular, e pode ser pedido uma vez cumprida a metade do mandato, de seis anos no caso do presidente, com as assinaturas de ao menos 20% dos eleitores inscritos no censo eleitoral.

A revogação do mandato acontece se o funcionário recebe contra ele “igual ou maior número” de votos do que os que o elegeram, e se da consulta participam ao menos 25% dos registrados no censo eleitoral, segundo o artigo 72 da Carta Magna Bolivariana.

Chávez foi reeleito presidente da Venezuela em dezembro de 2006, com 62,57% dos votos, ou seja, 6,8 milhões de votos, segundo informação oficial.
Folha