O reajuste do salário mínimo em janeiro de 2010 deve ser de 5,5%. O valor atual de R$ 510,00 deve passar para R$ 538,15. A proposta já foi enviada ao Congresso. O presidente do Sindicato dos Lojistas acredita que o novo salário vai causar um impacto positivo no comércio.

“Porque são mais recursos que o trabalhador vai ter em mãos para poder consumir, pagar suas obrigações, claro que nós temos um problema sério que é o custo do trabalho”, pontua Paulo Motta, presidente do Sindicato dos Lojistas.

Para um economista, o poder de compra aumenta, mas o dinheiro a mais já tem destino certo. “Eu acho que as pessoas que estão nessas classes sociais elas têm essa defasagem muito marcadamente na sua cesta de alimentos”, avalia Paulo Dantas, economista.

Nos últimos quatro anos o salário mínimo teve um aumento real – quando se desconta a inflação do período – de 26,68%. Era R$ 380,00 em 2007, passando para R$ 415 em 2008. No ano passado aumentou para R$ 465,00 até chegar aos atuais R$ 510,00.

Para muitos trabalhadores, mesmo com o ganho real, o dinheiro acaba não rendendo.

“Feijão, arroz, tudo aumenta, não dá, não dá, o dinheiro some do bolso da gente. Se aumentasse o salário e ficasse tudo no zero”, avalia Cibele Rosas, vendedora.

A presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Bahia diz que os reajustes têm beneficiado a categoria, mas é preciso que sejam maiores para ajudar mais as 500 mil profissionais que existem no estado.

“Já está dando para comprar outras coisas, uma televisão, uma geladeira, mas ainda é pouco, precisa avançar mais”, observa Cleusa Maria, presidente Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Bahia.

A Constituição Federal diz que o salário mínimo deveria ser suficiente para cobrir gastos como saúde, alimentação, lazer e vestuário, mas segundo o Dieese o valor atual do salário está longe de ser o ideal. Para manter uma família de quatro pessoas os cálculos mostram que o salário mínimo deveria ser de R$ 2.047,00, quatro vezes mais do o trabalhador recebe hoje.

Na Bahia, dos 7 milhões e 800 mil trabalhadores, metade recebe até um salário mínimo. São 3 milhões e 900 mil pessoas à espera do novo reajuste.

“Quanto mais a gente ganha, ainda não é o suficiente para o que a gente trabalha”, desabafa Adoneran Santos, padeiro.
BATV