Num jogo importante para o Bahia, que disputa o título e a vaga para voltar à Série A, quem se deu bem foi o Brasiliense. Na luta para não ser rebaixado para a Série C, a vitória em casa de virada por 3 a 2, neste sábado, em jogo bem movimentado na Boca do Jacaré, em Taguatinga, não o tirou do time do técnico Andrade, campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009, da zona da degola. Mas o time, em 17º lugar na tabela da Série B, pula para 40 pontos ganhos e fica mais motivado para as rodadas finais.

Adriano Felício, Djavan e Ferrugem marcaram os gols da vitória do time da casa. Everton e Adriano fizeram os da equipe baiana, que se afastou mais do sonho do título. Manteve-se com 59 pontos, a cinco do líder, o Coritiba, que tem 64. Mas permanece em terceiro lugar na luta para voltar à elite do futebol brasileiro.

O início até que foi animador para o Bahia. O time partiu com ímpeto para cima do rival na Boca do Jacaré. Tinha a seu favor a velocidade do ataque unida à fragilidade do sistema defensivo do Brasiliense. Precisou de apenas 30 segundos para dar o primeiro susto, com o artilheiro Adriano, que bateu cruzado, para fora.

O susto no início parece ter deixado o Brasiliense mais tenso ainda – antes da partida, a diretoria anunciara o afastamento do veterano meia Iranildo por indisciplina. A marcação da defesa era em linha, o que facilitava mais para o Tricolor baiano as jogadas em velocidade. E uma bola mal atrasada pelo lateral Diego quase piorou as coisas. O goleiro Eduardo saiu para prensar a bola no atacante Everton e salvou o time da casa.

Se por um lado a defesa era o ponto fraco, o meio-campo cumpria do Brasiliense cumpria o seu papel ao anular as jogadas de Morais para o ataque baiano. E o ataque até que se movimentava bem. O veterano Aloísio Chulapa lutava na frente e tinha a boa companhia de Djavan, que bateu a primeira bola a gol da equipe, aos oito minutos, mas nas mãos do goleiro Fernando.

Bahia abre o placar

Mas faltava mais consistência. Adriano Felício, novo camisa 10 do Brasiliense, ainda não encontrava o melhor caminho para deixar o ataque na cara do gol. Do outro lado, se Morais ainda não brilhava, o Tricolor baiano mostrava variação de jogadas. Numa falta cobrada pelo lado esquerdo, Nen surgiu livre para cabecear para fora. Três minutos depois, aos 17, o Bahia conseguiu abrir o placar em jogada tramada por Adriano. Everton recebeu, partiu em velocidade pela meia direita, e, após se ver livre de marcação, bateu fraco, mas cruzado e sem defesa.

Curiosamente, quando todos pensavam que o Brasiliense ficaria abatido com o gol, veio logo a reação. Méritos para Aloísio Chulapa, que matou mal a bola alçada por Dieguinho na área, mas brigou por ela e, mesmo de canela, dividindo com Luizão, fez com que chegasse na medida para Adriano Felício bater com força e estilo, sem defesa para Fernando, empatando a partida.

O Brasiliense cresceu na partida e empolgou a torcida presente ao estádio. Substituto de Iranildo com a camisa 10, Adriano Felício, motivado pelo belo gol, se movimentava mais O problema é que a defesa continuava com buracos. Ruy, pouco inspirado no ataque, demorava a voltar. E numa bobeira geral saiu a jogada que originou o pênalti para o Bahia.

Em uma falta pela meia esquerda, Morais, agora sim, aparecia surpreendendo a zaga rival ao cobrá-la com velocidade para Adriano. Livre, o camisa 9 tocou por cima de Eduardo para encobrir o goleiro. Mas foi seguro na área. O árbitro Jean Pierre, erradamente, deu apenas o cartão amarelo para o último homem da defesa, que deveria ter sido expulso. Mas marcou a infração. Aos 29, Adriano não desperdiçou. Deslocou o goleiro e correu para a torcida baiana próxima ao alambrado. Comemorou dependurado e recebeu o cartão amarelo.

Virada do Brasiliense

O Brasiliense manteve-se firme no ataque e desperdiçou três chances para empatar, com Djavan, que bateu na trave do lado de fora, Adriano Felício e Dieguinho. Veio o segundo tempo, e logo aos quatro minutos Djavan, de cabeça, perdeu ótima oportunidade para empatar.

A equipe da casa continuou no ataque, mas o técnico Andrade percebeu que Adriano Felício já não tinha mais pernas para tentar criar. Entrou em seu lugar Danilo Portugal, para dar mais velocidade.

Com a vantagem no placar, o Bahia, procurava administrar o resultado, e numa bonita jogada de Morais concluída por Elder para fora, quase ampliou. E justamente numa jogada desperdiçada na frente, acabou dando chances para o adversário. Num contra-ataque com velocidade, Djavan, em posição duvidosa, arrancou pela direita, livrou-se de Fábio Braz e Santiago e bateu de canhota sem defesa para Fernando, empatando para o Brasiliense aos 17.

O técnico Márcio Araújo percebeu que o time cansou e trocou Morais por Ananias. Mandou o time marcar mais a saída de bola do Brasiliense. Andrade trocou o volante Deda por outro zagueiro, Dezinho. Trocou o 4-4-2 pelo 3-5-2 para soltar mais os laterais. Deu certo. Aos 32, Ruy caiu pela esquerda. Lançado, cortou o goleiro Fernando e tocou na medida para Ferrugem apenas empurrar para as redes. Uma virada para a torcida comemorar.
GloboEsporte