Na primeira reunião formal da equipe de transição do governo federal, na tarde desta segunda-feira, representantes do Executivo e da presidente eleita, Dilma Rousseff, manifestaram preocupação com a tramitação, no Congresso, da proposta de Orçamento para 2011.

A intenção do grupo de transição é negociar com o Congresso para que não haja acréscimo de despesas que comprometam as contas públicas. Além disso, estuda-se a definição de um valor de salário mínimo acima dos R$ 538,15 apresentados na proposta.

Dilma já acertou com sua equipe de transição a necessidade de negociação com as centrais sindicais, com o governo e com o Congresso para aprovação de um novo mecanismo de reajuste do mínimo. Pela regra atual, o valor não teria reajuste real no ano que vem, sendo corrigido apenas pela inflação.

“Esse [reajuste do mínimo] é um assunto que não foi tratado, mas não está dispensado. É um assunto que examinaremos ao longo do tempo”, afirmou o coordenador da equipe de transição, o vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB).

Além de Temer, participaram também da reunião Antonio Palocci (PT-SP), José Eduardo Cardozo (PT-SP) e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que falaram em nome da presidente eleita. Mais cedo, eles se reuniram na casa de Dilma, que viaja ainda hoje para a reunião do G20, em Seul.

Pelo lado do governo, estavam os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (Planejamento) e Carlos Eduardo Esteves Lima (Casa Civil), além do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho.

Nessa semana, Temer e Dutra começam a conversar oficialmente com os 12 partidos que devem integrar o governo de Dilma para discutir a composição dos ministérios. Há pressão de praticamente todos os partidos para ampliar o espaço que hoje ocupam na Esplanada.

A reunião desta segunda-feira ocorreu no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde funcionarão os trabalhos da transição. A estrutura ainda estava sendo montada, ainda com resquícios visíveis da campanha política. Em um canto, a Folha encontrou, por exemplo, um adesivo com uma palavra de ordem usada pelas redes sociais petistas: “#SerraNãoMamãe”.
Folha