O diretor de Fiscalização do Banco Central, Alvir Hoffman, afirmou nesta quarta-feira que se a liquidação do PanAmericano fosse declarada, o “rombo” seria de R$ 900 milhões, já que o patrimônio líquido da instituição atualmente é de R$ 1,6 bilhão. Ou seja, seriam deduzidos da conta as irregularidades que somam R$ 2,5 bilhões, valor coberto pelo aporte do Grupo Silvio Santos.

Ele disse ainda que o PanAmericano, ao apontar resultado superior ao verdadeiro, acabou pagando Imposto de Renda acima do devido. Ele evitou calcular o montante e também não comentou nada sobre devolução.

Para Hoffman, o problema do banco está sanado com o aporte de R$ 2,5 bilhões feito pelo Grupo Silvio Santos, após empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Segundo ele, aliás, o empresário sabia que seus bens pessoais seriam confiscados se o PanAmericano fosse liquidado, mas que Silvio Santos se apresentou “prontamente” para resolver.

O BC negou que vá interferir nas atividades do banco e disse que o PanAmericano agora “segue vida normal”. Ele disse que o BC vai apenas “ajudar na administração para recolocar ordem na casa”.

As irregularidades, segundo Hoffman, podem ter começado há três ou quatro anos, mas apenas as investigações vão apontar o tempo exato.

O Banco Central descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O problema foi detectado há poucos meses e houve uma negociação para evitar a quebra da instituição, já que o rombo era bilionário.

O empresário Silvio Santos deu como garantia para obter empréstimo praticamente todo seu patrimônio empresarial. Para conseguir os R$ 2,5 bilhões do FGC, entraram 44 empresas subordinadas à holding SS Participações, entre elas o SBT, sua participação no banco PanAmericano, a Jequiti, a Liderança Capitalização e o Baú da Felicidade.

O valor contábil de todas as empresas é de R$ 2,7 bilhões.

ENTENDA

O PanAmericano atua, principalmente, em operações de crédito consignado e veículos. Os recursos para empréstimos não vem de depósitos feitos por correntistas, mas da venda dessas carteiras de crédito para grandes bancos.

O banco havia vendido carteiras de crédito para cerca de dez grandes instituições bancárias, mas não havia contabilizado parte dessas operações no seu balanço. Ou seja, vendeu um bem, usou o dinheiro, mas continuou contabilizando esse bem no seu patrimônio.

O Banco Central detectou há poucos meses que as informações prestadas pelos bancos compradores não batiam com o divulgado pelo PanAmericano. Em determinado ponto da investigação, o banco admitiu os problemas na contabilidade.

SOCORRO

Chamado pelo BC, o controlador do Panamericano (Grupo Silvio Santos) informou que não sabia do problema até então. Disse que estava disposto a cobrir o prejuízo sozinho e que já estava em negociações com o FGC para obter os recursos.

O FGC é um fundo administrado pelos bancos brasileiros para cobrir perdas de correntistas em caso de quebra de alguma instituição.

Fechada a negociação, o socorro foi anunciado ontem pelo PanAmericano. O Grupo Silvio Santos obteve R$ 2,5 bilhões para cobrir o rombo no banco e deu parte do seu patrimônio como garantia.

Não houve aporte de dinheiro público. A Caixa Econômica Federal, que comprou parte do PanAmericano há quase um ano, não terá de arcar com o prejuízo. O BC diz que não havia detectado ainda o problema quando aprovou essa compra.
Folha