A chuva prevista não apareceu. No lugar dela, uma linda lua cheia emoldurava o Morumbi quando Paul McCartney subiu ao palco, às 21h35 de ontem. Paul vestia um paletó azul e carregava seu mítico baixo em forma de violino, companheiro desde a época dos Beatles.

Música pop não fica muito melhor do que isso. Na plateia, netos, filhos e avôs cantavam juntos, numa prova de que suas canções, escritas há 30, 40 ou 50 anos, continuam poderosas.

Em 2h50 de show, McCartney e banda tocaram cerca de 40 músicas. O show esteve impecável: som alto e definido, telões exibindo todos os detalhes e banda afiada. McCartney emendou de cara uma ótima sequência de sons de sua carreira pós-Beatles, com “Venus and Mars”, “Rock Show” e “Jet”.

TODO O AMOR

Mas o Morumbi quase desabou mesmo com “All My Loving”, uma das preferidas de seu parceiro John Lennon (1940-1980). O telão mostrava cenas de época da beatlemania, com fãs perseguindo os Beatles pelas ruas.

Foi a primeira de diversas músicas dos Beatles. “Drive My Car” e “The Long and Winding Road”, esta com McCartney ao piano, transformaram o estádio num karaokê de 64 mil pessoas.

O show foi crescendo em emoção, especialmente com clássicos dos Beatles como “And I Love Her”, “Blackbird” e “Eleanor Rigby”. Daí, Paul pegou o ukulele, disse que ia tocar uma música “em homenagem ao meu amigo George” (Harrison, 1943-2001) e começou versão minimalista de “Something”.

Quando a banda toda caiu matando no solo de guitarra da música, a melodia ganhou uma força impressionante que, somada ao coro de 64 mil fãs, criou um momento transcendente de beleza e emoção.
Paul e banda emendaram, na sequência, “Band on the Run”, “Ob-la-di, Ob-la-da”, “Back in The USSR”, “I Got a Feeling”, “Paperback Writer”, “A Day in the Life” (com “Give Peace a Chance”, em homenagem a Lennon), “Let it Be”, “Live and Let Die” (com fogos de artifício) e “Hey Jude”, com o coro cantado pelo público mesmo após Paul deixar o palco.

No primeiro bis da noite, uma trinca de pauladas dos Beatles: “Day Tripper”, “Lady Madonna” e “Get Back”. No segundo, a inescapável “Yesterday”, cantada por todo o estádio, seguida pela pesadíssima “Helter Skelter”, por “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e, finalmente, por “The End”.

No fim, Paul pegou duas bandeiras do Brasil e improvisou uma dancinha. Acabou tropeçando e caiu no palco.

As peripécias do Sir foram vistas em detalhes no telão.
Folha