Um Estado do Nordeste concentra o maior número de brasileiros centenários. Na Bahia vivem 3.525 pessoas com 100 anos ou mais. Logo depois vem os Estados do Sudeste: São Paulo, com 3.146 e Minas Gerais com 2.597.

Em dez anos, o número de brasileiros nesta faixa etária se manteve praticamente estável. Em 2000 eram 24.576 pessoas, 0,01% da população. Agora são 23.760, que representam 0,012% do total de brasileiros.

As mulheres têm mais chance de chegar aos 100 anos. “Elas vivem mais do que os homens. No Brasil, temos uma taxa de mortalidade mais elevada nos homens jovens (entre 19 e 24 anos)”, explicou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

Os fatores que mais contribuem para a mortalidade entre os homens são a violência e os acidentes de trânsito.

Símbolo. Foi acompanhada dos oito filhos (que têm entre 56 e 84 anos), dos nove netos e dos seis bisnetos, além de uma legião de amigos, que Claudionor Viana Telles Velloso, a dona Canô, comemorou seu aniversário de 103 anos, em 16 de setembro. A festa durou o dia todo: começou cedo, com uma missa na Igreja de Nossa Senhora da Purificação, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e seguiu à tarde e à noite, com um caruru para 300 pessoas na casa da aniversariante.

De diferente na comemoração deste ano, com relação às anteriores, apenas a cadeira de rodas, incorporada ao cotidiano de dona Canô em janeiro, depois de uma fissura no fêmur, causada por uma queda em casa.

Claudionor é a mais conhecida centenária da Bahia, matriarca do clã que reúne, entre outros, Caetano Veloso e Maria Bethânia. O segredo da longevidade a festeira, Canô traz na ponta da língua. “Tem de saber viver, ter amor no coração e ser correto”, avisa. “Se você viver se aborrecendo por tudo, não chega.”

É a síntese da vida simples que dona Canô leva, que não difere muito do dia a dia de tantas outras famílias do interior baiano. A rotina é bastante regrada e amplamente pautada pelo convívio com familiares e amigos.

A matriarca acorda cedo, toma um café da manhã com café, leite e suco e conversa – muito – com quem estiver na casa, que virou ponto turístico de Santo Amaro. Os filhos Nicinha, a mais velha, e Rodrigo, que moram na cidade, são companhias frequentes.

O almoço, cujo preparo ainda é supervisionado por dona Canô, é sempre servido à mesa. Todos os que estiverem na casa têm de se sentar ao redor. E é uma ordem que haja pelo menos um integrante da família para a refeição.

O cardápio cotidiano, em que pese a grande habilidade da matriarca na cozinha – descrita no livro O Sal é um Dom, da filha Mabel Velloso -, é simples. Nunca faltam à mesa feijão, alguma carne e verduras. Comidas baianas típicas, como moquecas e caruru – chamadas, pela família, de “comidas de azeite”, pelo uso de azeite de dendê -, só em datas especiais. O próximo banquete do gênero já tem data marcada: 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara.

Dona Canô come pouco, sempre. Depois do almoço, tira um longo cochilo, que não raro segue até o sol se por. Acorda, faz um lanche, conversa mais e vê TV (prefere os noticiários).

Apesar do descanso vespertino, não dorme tarde: por volta das 22 horas, logo depois de mais um lanche, já está de volta à cama, acompanhada por um livro ou um jornal.
Estadão