O iPad, mesmo com meses de distância do lançamento oficial nos Estados Unidos, mantém seu status de “objeto de desejo”. O tablet da Apple, lançado oficialmente nesta sexta-feira no Brasil, é apenas o primeiro passo da companhia de Steve Jobs em mudar totalmente a computação pessoal. Isso já aconteceu com o iPhone, e o iPad segue o mesmo caminho.

Uma velha máxima sobre produtos de tecnologia, em geral, vale para a Apple: nunca compre produtos de primeira geração. Eles terão bugs críticos que serão corrigidos na próxima versão do produto. A afirmação, entretanto, se aplica parcialmente ao iPad: apesar de ser o primeiro tablet da fabricante (esqueça o PDA Newton, de anos atrás), seu hardware é novo, mas o sistema operacional iOS, não.


E, pensando desse modo, é fácil dizer que o iPad é uma evolução elegante do iPhone. A tela, construída com tecnologia que nenhum outro fabricante conseguiu imitar com perfeição ainda, desliza os dedos com uma facilidade incrível. O multitoque, presente na maioria dos aplicativos, ajuda demais a esquecer que você precisa de um teclado virtual ou físico. E, mesmo se precisar digitar direto no touchscreen, o espaçamento das teclas ¿ agradeça às 9,7 polegadas de vidro ¿ permite realizar a tarefa sem problemas. Basta, apenas, treinar um pouco.

Navegar na web é outro recurso incrível do iPad, e não reclame da falta de Adobe Flash. Inúmeros sites em HTML5 mostram vídeos sem nenhum problema (um bom exemplo, caso você tenha comprado um iPad, é o da CNN). Após navegar bastante, você nem nota a falta do Flash.

Como um bom produto da Apple, a integração de software da fabricante é importantíssima: sincronize fotos e músicas com seu iPad, mas só veja rostos em seus álbuns de fotos se tiver um Mac (não funciona no PC esse recurso). Baixe os aplicativos da App Store (segundo a Apple, mais de 40 mil já feitos apenas para o tablet) e trabalhe com os programas do pacote iWork (Keynote, Pages, Numbers) como se estivesse no MacBook. Fora inúmeros jogos, apps de bobagens, produtividade, música, diversão. Pena que alguns apps, por restrições geográficas, não possam ser comprados por aqui (caso dos games).

E vale lembrar que parte do conteúdo multimídia do iPad ainda vive intocado para quem mora no Brasil: a iTunes Store, loja de músicas, filmes e programas de TV. Novamente, questões de licenciamento (e por que não dizer, políticas regionais) atrapalham a vida de quem quer comprar música e vídeos de maneira legalizada e oficial.

Diferente do iPhone, o iPad no Brasil (e em todo o mundo) é vendido em sua versão 3G desbloqueado, sem precisar ter algum vínculo com operadora de celular. Você compra seu iPad pelo preço cheio e procura uma operadora que venda planos de internet que caibam no seu bolso mês a mês ¿ e as operadoras não estão vendendo o iPad ainda com planos fechados com direito a subsídio ao aparelho (é algo para 2011, apenas). Se em alguma loja tentarem te vender o iPad atrelado a algum plano hoje, diga que é venda casada.

Em poucas horas mexendo no iPad, dá para ter a sensação rápida do que é brincar com o aparelho. Mas já dá para entender que é uma categoria nova, entre o notebook e o smartphone, e que se diferencia muito de outros tablets ¿ mais notadamente, o Samsung Galaxy Tab, também já à venda no Brasil. Em uma comparação rápida, o Galaxy Tab é um smartphone mais poderoso, que atua do lado do notebook durante o dia de trabalho e vira uma central de multimídia quando você quer. O iPad, porém, dispensa o notebook. Só falta falar.
Terra/ZumoNotícias