Continua foragido, nesta quinta-feira, 9, Daniel Prado Brito, dono de um depósito clandestino de combustíveis em Vitória da Conquista. O local, situado no Parque Comveima, próximo à BR-116 (Rio-Bahia), zona sul de Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador, foi descoberto pela polícia na tarde desta quarta-feira, 8.

A polícia chegou ao local após uma denúncia anônima encaminhada à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz). A princípio, os agentes fazendários seguiram uma pista que conduzia a um depósito na Avenida Pará, zona oeste da cidade, mas o depósito estava fechado.

Em seguida, novas informações encaminharam os fiscais para o novo endereço, sem registro na Agência Nacional de Petróleo (ANP), onde o produto era recebido para ser adulterado e distribuído. No local, foram encontrados mais de 100 mil litros de álcool armazenados em quatro caminhões-tanques.

Segundo informações da Sefaz, o montante sonegado em impostos ainda não foi divulgado. “O local não possui inscrição, mas armazenava o produto oriundo de diversos lugares, por isso apreendemos a documentação para averiguar o ilícito fiscal”, afirma o preposto da secretaria, Hugo Lima.

De acordo com o delegado da Polícia Civil de Vitória da Conquista, Fabiano Aurich, por meio das notas fiscais encontradas no galpão foi descoberto que diariamente chegavam 180 mil litros do combustível à cidade. O material, ainda segundo o delegado, pertence à empresa Transportadora Irmãos Moreira Ltda, investigada há anos pela suposta atuação ilícita nesse mesmo ramo e de propriedade de um tio de Daniel Prado.

Aurich explicou que o esquema consistia na aquisição de combustível, por meio da empresa acusada, de diversos fornecedores, dentre os quais a Usina Santa Maria, situada em Medeiros Neto, extremo Sul da Bahia; SADA Bio energia e Agricultura, de Jaíba, Minas Gerais; Petrovalle, de Feira de Santana, Santa Cruz e Álcool Ltda, de Santa Cruz de Cabrália e Petromotor, com sede em Itabuna.

Ainda segundo o delegado, o combustível era adquirido legalmente, mas o produto era desviado por rotas clandestinas, deixando de passar pelos postos de fiscalização e sonegando impostos. Ao chegar a Conquista, o produto era armazenado no depósito clandestino. “Os lacres eram quebrados, a gasolina adulterada e depois os tanques eram lacrados para ser distribuídos em postos de Conquista e outros municípios da região”, destaca.

Alguns dos postos abastecidos com o combustível “batizado” foram listados pela polícia por meio de talonários. Nas notas de entrega apresentadas, são citados como envolvidos no esquema cinco postos da cidade. Outros postos também estão sendo investigados.

Na operação, também foram apreendidos caminhões-tanque, para que a Polícia Técnica analise o produto, e dois computadores entregues à Sefaz para averiguações e análise de outras supostas fraudes.
ATarde