Planejamento é o primeiro passo para quem pretende juntar dinheiro no ano que vem. Objetivos como comprar um imóvel, formar uma família ou realizar viagens internacionais exigem, quase sempre, algum sacrifício e muitas decisões financeiras. Para ajudar na organização das metas para 2011, o G1 consultou especialistas em finanças pessoais que dão algumas recomendações práticas para cada tipo de situação.

Foco nas prioridades
Em todo e qualquer plano que necessite de financiamento, fuja do desperdício de dinheiro: faça um orçamento doméstico detalhado (no papel ou em uma planilha no computador, por exemplo) para saber o que sobra de dinheiro no fim do mês. Se não sobra, descubra o que dá para cortar: mantenha em mente o que é mais importante no momento.

“Inclua pequenos gastos: idas ao café, presente de aniversário do colega de trabalho, tudo”, diz o professor de finanças da Universidade de São Paulo, Rafael Paschoarelli. Sabendo o quanto você vai poder guardar, separe o dinheiro no dia em que ele cair na sua conta. “Dinheiro na mão é vendaval; R$ 1.000 sobrando no começo do mês viram quase nada no fim do mês”, diz Paschoarelli.

Outro ponto importante: antes de começar a poupar, livre-se das dívidas. De acordo com o professor Mário Amigo, da fundação instituto de pesquisas contábeis atuariais e financeiras (Fipecafi), o saudável é não deixar que as dívidas ultrapassem 35% da renda mensal.

“Busque sanar dívidas com cartão, com cheque especial. Negocie com o banco, pesquise um crédito consignado, que tem juros mais baixos. Sempre tente renegociar a dívida que você tem procurando outras taxas com juros menores. Não deixe acumular”, diz o professor da Fipecafi.

Viagem internacional
Uma boa notícia favorece os planos turísticos no ano que vem: o dólar está baixo, e, viajar para o exterior, mais barato. Num país de câmbio flutuante como o Brasil, no entanto, sempre há o risco da variação da moeda: se o dólar sobe na época da viagem ou na data de vencimento da fatura do cartão de crédito, por exemplo, os gastos crescem.

Na opinião do professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Sílvio Paixão, uma boa estratégia é dividir o valor da viagem em duas partes: o custo fixo com transporte e hospedagem, que pode ser parcelado; e o custo variável: compras, alimentação, presentes, passeios.

“Toda a sua pretensão de gastos deve ser colocada no papel”, ensina o economista. É preciso também pesquisar o preço de passagens e hospedagem em diversas agências de turismo e sites de companhias aéreas. A partir daí dá para ter uma ideia de quantas parcelas seriam confortáveis para que você consiga pagar sem peso excessivo no orçamento e quitar a dívida até a data da viagem.

Para os demais gastos, Paixão diz que uma boa alternativa é ir juntando o dinheiro em dólares e em reais. “Você faz uma reserva comprando dólares no banco, e a outra parte você coloca o dinheiro para trabalhar para você em reais, numa aplicação como poupança ou um fundo multimercado sem carência”.

Assim, ensina ele, dá para se proteger de uma eventual subida do dólar: se a viagem ficar mais cara, haverá ao menos algum ganho para o comprador.

Casa própria
Comprar um imóvel é uma realização de longo prazo. Se esse é seu objetivo, é necessário um esforço concentrado: dinheiro de 13º salário, bônus, trabalhos esporádicos devem ser direcionados para juntar uma reserva razoável para a entrada. Seu carro dá muita despesa? Vale a pena vender, desde que você não vá financiar um novo na sequência a juros mais altos.

Lembre-se do conceito do sacrifício pelo objetivo maior: será que não vale ficar sem carro até conseguir pagar uma boa parte do imóvel?

Dá para planejar também o tipo de aplicação em que o dinheiro será guardado. Para o professor Paschoarelli, volumes de até R$ 10 mil devem ser guardados na poupança; a partir daí, o CDB pode ser uma boa opção.

Família e filhos
A melhor fórmula para casar e ter filhos sem problemas financeiros tem duas bases: preparação e diálogo. Há muitos detalhes que precisam ser discutidos pelo casal antes do enlace ou da decisão de aumentar a família. Como as despesas serão divididas? O casal vai ter conta conjunta? Que tipo de educação querem dar às crianças? Escola pública ou particular? O padrão de vida dos dois será mantido? Priorizarão os filhos acima de tudo?

“Tem que debater: o que queremos para os filhos? Do que podemos abrir mão? Se um gosta de viajar todo fim de semana, pode abrir mão? Se não topa, tem que encontrar outro ponto em que dá para ceder”, explica o professor Sílvio Paixão, que estima um gasto médio de R$ 1.000 por mês para quem quer se preparar para o nascimento de uma criança. “Quanto mais velho fica o filho, mais crescem as despesas”, diz.

Paschoarelli, da USP, diz que o dinheiro no casamento é preciso ser visto como um só.

“Quem é casado faz o orçamento conjunto. Se não quer juntar a conta, não é casal. Os sonhos devem ser comuns. Se o marido ganha R$ 1 mil e a esposa R$ 2 mil, não é para pensar no ganho de um e de outro: são R$ 3 mil para a família”, diz.
G1