As bolsinhas de gordura nas pálpebras, conhecidas pelo estranho nome de xantelasma, podem comprometer muito além do olhar.

Temidas por homens e mulheres que tangenciam a terceira idade, o suposto incômodo estético pode sinalizar (ou mascarar) o aumento do risco de problemas no coração.

O alerta faz parte de uma pesquisa realizada durante 30 anos por cientistas dinamarqueses e foi apresentado no Congresso da Associação Americana do Coração, em Chicago, nos Estados Unidos, e divulgada neste mês no site da entidade norte-americana.

O acompanhamento foi realizado com mais de dez mil pessoas. Segundo os pesquisadores, o xantelasma eleva em 51% o risco de ataque cardíaco, 40% de infarto e 20% de morte. Para os voluntários pesquisados que tinham o colesterol em níveis normais, as bolsinhas de gordura representaram um aumento de 17% nas chances de problemas no coração.

A pesquisa quis representar uma população mundial e pode facilmente ser transportados para a realidade brasileira. Essa extrapolação, para especialistas brasileiros, pode auxiliar na avaliação precoce de problemas cardíacos e evitar sequelas incapacitantes.

No Brasil, de 2% a 3% da população têm as indesejáveis bolsas de gordura nas pálpebras, revela Leonardo Abruccio Neto, dermatologista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo. Mais de 20% dos pacientes do especialista vivem – ou já eliminaram – o problema.

“É muito freqüente em homens e mulheres acima dos 30 anos. Mais de 1% da população brasileira tem esse problema. A porcentagem nacional pode parecer pequena, mas em números reais, o xantelasma afeta mais de um milhão de pessoas.”

Para o médico, na prática, os dados encontrados na pesquisa reforçam um procedimento já realizado pela maioria dos dermatologistas, quando procurados para exorcizar a pequena gordura. “Todo paciente que tem a doença exige uma avaliação de colesterol antes de iniciar os procedimentos para removê-la.”
IG