Julio César Cardoso*

Meu amigo, se você quiser ter emprego farto e bem remunerado, com grandes perspectivas de enriquecimento (ilícito) e ainda levar, de lambuja, uma boa aposentadoria vitalícia para seu cruzeiro turístico, faça como muitos espertalhões brasileiros e abrace, com toda a força, a “espinhosa” carreira política.

Não precisa de nenhum pré-requisito intelectual, ou frequentar cursinho, basta apenas saber rabiscar o seu nome e gostar da ribalta do poder para ter sucesso garantido. Senão, vai ter de ralar a vida toda e comer o pão que o diabo amassou!

Espelhe-se em nosso guru presidencial: tem vida boa, pega onda e faz caça submarina em Fernando de Noronha à nossa custa, e, para seu regalo, já tem algumas prebendas vitalícias garantidas, e tudo isso sem ter precisado fazer muito esforço ou queimado pestanas em elucubrações mil.

E a gente começa a questionar: para que estudar tanto – neste País de nove dedos políticos -, concluir curso superior, pós-graduação etc., etc. se outros conseguem status social e financeiro na moleza, e não há emprego para a maioria ou quando encontra é mal-remunerado? É claro que existem pessoas bem-sucedidas, mas são exceções dentro do contexto nacional.

E o nosso bem abonado presidente da República, que nunca teve preocupação com estudo, fingiu não conhecer a realidade brasileira (falta de grana) e mandou a vassalagem gastar para esquentar a economia. Só que ele não emprestou o seu cartão corporativo para a plebe passear, por exemplo, na paradisíaca Ilha de Fernando de Noronha. E, já no ocaso de seu governo, não perdeu o hábito de abrir a boca para tecer comentários inadequados.
Julio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado