Nos últimos 400 metros, Marílson Gomes dos Santos mal conseguia olhar para frente.

Equilibrava as passadas virando-se para trás, como se não acreditasse que não havia ninguém no retrovisor. Era verdade. Após três anos, a hegemonia queniana na São Silvestre está quebrada.

Sob intensa vibração da torcida na Avenida Paulista, Marílson cruzou a linha de chegada nesta sexta-feira… e parou. Curvou o corpo para a frente. Cansado, mas realizado.Foi a terceira vitória dele na prova e a primeira do Brasil desde 2006, quando Franck Caldeira chegou na frente. Festa verde-amarela no último dia do ano.

Marílson, que já tinha vencido em 2003 e 2005, completou a prova desta sexta em 44m07, tornando-se o maior vencedor brasileiro da prova. Atrás dele vieram os quenianos Barnabas Kiplagat (44m49s) e James Kipsang (45m15s). O brasileiro Giovani dos Santos terminou em 45m34s..Agora o Brasil tem 11 títulos da São Silvestre, contra 12 do Quênia.

– Eu achava que seria uma corrida decidida só no fim. Melhor para mim que não foi assim – vibrou Marílson, ainda ofegante, dedicando a vitória ao filho que vai nascer em fevereiro.

O tempo de Marilson não quebra o recorde da prova (do queniano Paul Tergat, 43m12s, em 1995), mas é melhor que as marcas do brasileiro quando venceu em 2003 (43m50s) e 2005 (44m22s). Após a vitória de Caldeira em 2006, o Quênia dominou com Robert Cheruiyot (2007) e James Kipsang (2008 e 2009).
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