O grupo separatista basco ETA pediu nesta segunda-feira (10) uma trégua “permanente” e “geral”, que possa ser verificada pela comunidade internacional, segundo o site do jornal independente basco “Gara”, canal habitual do grupo.

Segundo o comunicado, a trégua seria um “compromisso firme”, com um “processo de solução definitivo e com o fim da confrontação armada”.

O ETA defendia, por intermédio da luta armada, e a criação de um Estado basco independente no norte da Espanha e sudoeste da França. Ele tem sido enfraquecido pela repressão policial e pelo aumento do apoio basco à saída política.

Datada de 8 de janeiro, a nota afirma que o “processo democrático” para o fim da violência deve resolver o “núcleo do conflito”, que estaria nas questões da territorialidade e do direito de autodeterminação.

A organização separatista afirma que concorda com as declarações de Bruxelas, feitas por um grupo de mediadores internacionais, e de Guernica, assinada por várias facções bascas.

Uma porta-voz do Ministério do Interior disse que o governo da Espanha divulgaria um comentário sobre o anúncio ainda nesta segunda.

Cessar-fogo

O anúncio ocorre quatro meses após o enfraquecido grupo ter anunciado um cessar-fogo, que não foi bem recebido pelas autoridades bascas.

Rumores sobre a possível trégua circularam em dezembro, mas o vice-premiê espanhol, Alfredo Perez Rubalcaba, disse repetidas vezes que o governo não mudaria de estratégia com relação ao grupo, que considera terrorista, por conta disso.
“Essa coisa de trégua não funciona mais”, disse Rubalcaba na época.

O ETA rompeu diversas promessas de cessar-fogo no passado, o mais recente em 2006, quando uma trégua foi rompida por um violento ataque a bomba no aeroporto de Madri.

Declarações de cessar-fogo têm sido vistas por analistas como tentativas da organização de se reagrupar e lançar novos ataques.

Mais de 800 mortes

O último atentado do ETA em solo espanhol ocorreu há 17 meses.

Responsável pela morte de 829 pessoas em mais de 40 anos de violência em sua luta pela independência do País Basco, o grupo se encontra há vários meses sob a pressão de seu ilegalizado braço político, o Batasuna, para que anuncie um cessar-fogo.

O Batasuna, ilegalizado em 2003 pela justiça espanhola por sua ligação com o ETA, confia que um cessar-fogo verificável internacionalmente o ajudará a voltar à legalidade para poder participar nas eleições locais deste ano.
G1/Agências