O técnico em optometria Wilson de Oliveira Santana foi preso em flagrante por exercício ilegal da medicina. Há mais de 30 dias, Wilson de Oliveira fazia consultas como oftalmologista e receitava lentes e óculos de grau a jovens, crianças e adultos no bairro Jequiezinho, em Jequié, a 359 km de Salvador. Depois de denúncia anônima, o Departamento de Vigilância Sanitária e Ambiental de Jequié constatou o crime, interditou o galpão e autuou o falso médico.

Segundo o Conselho de Optometria, os profissionais de nível técnico, como é o caso de Wilson de Oliveira, estão proibidos de fazer exames e receitar lentes de contato. Os exames realizados pelo acusado tinham como objetivo identificar distúrbios da visão, como a miopia, o astigmatismo, a hipermetropia e a presbiopia.

Acompanhados de policiais militares, os técnicos da Vigilância Sanitária apreenderam equipamentos e farto material, incluindo 326 armações de óculos, blocos de orçamento para óculos e de receituário, caixa de prova com 195 lentes, conjunto para diagnóstico com oftalmoscópio e retinoscópio. O optometrista chegava a atender mais de 10 pessoas por dia ao preço de R$ 25 por consulta. Em média, um profissional da área cobra R$ 140 por consulta.

Os óculos eram comercializados por valores que variavam de R$ 50 a R$ 100, segundo uma moradora que buscou atendimento. Ela disse que a procura era tanta que muita gente só conseguia atendimento à noite. A mulher, que jamais usara óculos, foi aconselhada pelo falso médico a comprar uma armação com lentes de grau. “O preço baixo da consulta e a dificuldade para marcar consulta pelo SUS atraíram muita gente”, justificou a vítima.

O optometrista vai responder em liberdade por exercício ilegal da medicina. “Instaurou-se processo administrativo e ele tem 15 dias para apresentar defesa”, assinalou a diretora da Vigilância Sanitária e Ambiental, Magali Chaves. Todo material aprendido deverá ser doado a entidades de assistência social após conclusão do processo.
ATarde