O enfermeiro Rodrigo Lessa é agora conhecido entre os colegas de trabalho como “ghost” (“fantasma”, em inglês) e “fantasminha camarada”. Tudo por conta de um mal-entendido que o fez “ressuscitar”.


Na madrugada do último dia 12, o nome do jovem de 30 anos apareceu na lista de sepultados da tragédia provocada pelas chuvas em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A relação foi divulgada pela prefeitura da cidade e reproduzida por meios de comunicação. Foi então que começou a confusão.

Assim que o sinal de telefonia celular foi restabelecido na região, Rodrigo conta que passou a receber ligações de amigos e parentes querendo confirmar informações sobre a morte e até mesmo sobre o enterro.

No dia seguinte, ao chegar para mais um dia de trabalho no Hospital São José, Rodrigo foi recebido com perplexidade pelos colegas de trabalho, que também choravam sua morte. Lá ficou sabendo que seus supervisores foram até ao IML, onde foram informados que o caixão com o corpo do então falecido Rodrigo Lessa já tinha sido despachado para o cemitério municipal Carlinda Berlim.

“Quem não me viu e não conseguiu falar comigo pelo telefone ficou em estado de choque quando apareci. Ficaram me olhando e tentando acreditar que era eu mesmo”, diz o enfermeiro, revelando que teve seus 15 minutos de fama no hospital quando todos queriam tocá-lo e confirmar que ele não havia morrido.

Rodrigo não imaginava ser uma pessoa tão querida em Teresópolis. Ele diz que sua família recebeu muitas mensagens de apoio e pêsames pela sua “morte”. Ainda assustado com a situação, foi até ao ginásio Pedrão, que servia de abrigo aos desalojados pela chuva, e lá constatou que seu nome era o de número 199 na lista.

“É uma situação engraçada. É igual à vida de artista, só que pelo lado ruim. Até gente desconhecida me procurou”, falou o rapaz que, a princípio, pensou na existência de um homônimo em Teresópolis.

Em uma pesquisa pelas redes sociais e em escolas da cidade, ele não encontrou nenhum outro Rodrigo Lessa. Ainda na tentativa de esclarecer o fato, ele foi à delegacia e ao IML novamente, mas recebeu a informação que seu nome não constava naquelas listas de óbitos.

Pelo VC no G1, Rodrigo relatou sua história da seguinte maneira:
“Não estou morto!!!
“Boa tarde! Meu nome é Rodrigo Lessa, tenho 30 anos, sou enfermeiro e moro no bairro do Campo Grande – Teresópolis. Meu nome foi publicado em sites e jornais, inclusive o G1, numa lista de mortes confirmadas na tragédia que assolou a Cidade de Teresópolis. Pode ser um engano ou um homônimo, o que acho difícil aqui onde moro, mas, mesmo assim, gostaria de informar a todos conhecidos e famíliares que estou vivo e estou bem. Mando uma foto pra não haver mais engano. Muito Obrigado!”

Erro
A prefeitura de Teresópolis explica que o Poder Judiciário é o responsável pela organização e confecção da lista e que, neste caso, a prefeitura apenas repassa a relação de nomes à imprensa. O juiz José Ricardo Aguiar, que coordena a liberação dos corpos, investiga o ocorrido e argumenta que existem várias hipóteses para o caso. Uma delas é que o nome de Rodrigo tenha sido incluído na lista errada.

“O Poder Judiciário, em conjunto com a Defensoria Pública e o Ministério Público, está agilizando o reconhecimento dos corpos e atuando para garantir um enterro digno dos mortos resgatados na tragédia. Ainda não sei o que pode ter acontecido, mas, em meio aos mais de 200 corpos despachados, alguém pode ter se confundido e colocado na lista de óbitos o nome de algum parente que esteve no IML para fazer o reconhecimento”, explica o juiz.

Rodrigo esteve no IML na madrugada de quarta-feira (12) para reconhecer e liberar o corpo de sua tia, a doméstica Ana Cristina Pimentel, uma das vítimas dos deslizamentos ocorridos em Campo Grande, um dos bairros mais afetados pela chuva em Teresópolis.

“Pode ser que tenha um outro Rodrigo Lessa. Ao mesmo tempo que é engraçado, é incômodo, porque muita gente de outra cidade que me conhece tentou me procurar. Foi um sofrimento desnecessário”, finaliza o enfermeiro.
G1