A influente ONG Human Rights Watch criticou o Brasil no lançamento de seu relatório global anual pelo silêncio diante de abusos dos direitos humanos em outros países, pela violência policial e pela falta de punição dos crimes da ditadura.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira em Washington, o diretor do grupo para a América Latina, José Miguel Vivanco, afirmou esperar que o governo Dilma Rousseff reavalie a política externa brasileira na questão dos direitos humanos, que segundo ele caiu para uma posição absolutamente secundária nos anos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Houve sinais de mudança”, disse Vivanco, em referência a declarações da presidente ao jornal “Washington Post” no mês passado, quando Dilma disse discordar da política externa anterior em casos como o do tratamento às mulheres no Irã.

“Espero que o Brasil se converta em aliado na causa dos direitos humanos quando se trata de avaliar a situação no mundo.”

O destaque do relatório foi justamente a cooperação internacional com países violadores dos direitos humanos, que manipulariam “práticas e tendências da diplomacia silenciosa”. “É um erro gravíssimo, que produz retrocessos”, disse Vivanco.

Na América Latina, a ONG frisou problemas de direitos humanos em cinco países –Brasil, México, Colômbia, Venezuela e Cuba.
Folha