Mais do que o previsto tom econômico, o discurso do Estado da União do presidente americano, Barack Obama, foi marcado pelo incentivo à competitividade dos EUA e pela defesa de pontos-chave de seu governo, como a reforma da saúde e a política externa. Quanto ao Brasil, ele anunciou que irá visitar o país em março para criar “novas alianças”.

“Reiniciamos nossa relação com a Rússia, reforçamos nossas alianças na Ásia e construímos novas parcerias com nações como a Índia. Em março irei ao Brasil, Chile e El Salvador para criar novas alianças para o progresso das Américas”, disse.

Em seu segundo discurso anual ao Congresso, Obama começou fazendo uma analogia à corrida espacial na Guerra Fria, quando os americanos chegaram à lua antes dos soviéticos.

“Este é o momento Sputnik da nossa geração”, disse em referência ao satélite russo lançado ao espaço que desencadeou a necessidade de os EUA avançarem no setor.

Permeado por menções ao “sonho americano” e ao excepcionalismo do país, o discurso tocou com mais superficialidade em temas polêmicos como as mudanças na legislação da saúde e a aprovação da política que permite a homossexuais abertamente assumidos a servirem nas Forças Armadas.

ECONOMIA

O presidente pediu aos congressistas que aprovem uma reforma tributária para simplificar os impostos e defendeu cortes. “Estou propondo um congelamento anual dos gastos nos próximos cinco anos. Isto reduziria o déficit em mais de US$ 400 bilhões na próxima década”.

Disse ainda que a prioridade do governo será a criação de novos empregos e reafirmou a necessidade de congelar o orçamento federal e repensar prioridades, indicando que após o pior da recessão, o país precisa agora reajustar o déficit nas contas públicas.

O desemprego atinge atualmente cerca de 14,5 milhões de norte-americanos, ou 9,4% da força de trabalho. Por isso, a Casa Branca quer garantir que eventuais cortes nos gastos públicos federais não irão abalar a gradual recuperação econômica do país.

“O Secretário da Defesa já concordou em cortar bilhões de dólares em gastos que ele e nossos generais acreditam que o Exército pode perder”, afirmou Obama fazendo clara referência a cortes necessários na Guerra do Afeganistão e nas operações de transição no Iraque.

Quanto à competição com países como a Rússia, a Índia e a China, o presidente foi incisivo ao defender que os EUA precisam se esforçar mais para superarem os países em rápido crescimento.

AL QAEDA E CHINA

A Al Qaeda também foi mencionada. “Vamos derrotá-los”, disse o presidente, reafirmando a continuidade da luta contra o terrorismo. “Aceitamos a luta contra a Al Qaeda e seus aliados no exterior”, afirmou o presidente, acrescentando que no Afeganistão há menos pessoas sob o controle do Taleban.

Obama citou também que os EUA estão ao lado dos manifestantes que recentemente derrubaram o governo do ditador Zine el Abidine Ben Ali, na Tunísia.

Dias após a visita do presidente chinês Hu Jintao à Washington, Obama não poupou a China de críticas indiretas. “Há países em que uma ferrovia pode ser construída pelo governo central, sem importar quantas casas serão destruídas. Caso uma notícia seja ruim, não é publicada”.
Folha