Foi dada a largada para mais um embate entre a prefeitura de Salvador, a Associação dos Blocos e Trios do Carnaval soteropolitano e a Associação dos Cordeiros que trabalham para garantir que a corda permaneça firme e esticada durante todo o percurso. Para não arriar os ânimos de quem faz o Carnaval, as três entidades se reúnem às 14h de hoje para celebrar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e oficializar deveres e obrigações de cada integrante do bloco dos que organizam a maior festa de rua do planeta.

Ontem, a prefeitura reuniu em sua sede os órgãos oficiais (municipais, estaduais e federais), que participam da organização da festa. A principal meta é fiscalizar para que não haja exploração infantil durante a folia. Equipes multidisciplinares participarão da fiscalização e, ao ser constatada irregularidade, devem propor aos pais que o menor seja levado para a casa de algum parente ou amigo e que a família receba uma cesta
básica.

Só no ano passado, foram abrigadas 69 crianças e 110 retornaram para casa recebendo os mantimentos. Caso não aconteça, a prefeitura levará a criança para um dos três abrigos que serão montados nos circuitos da folia: um na Escola São Domingos Sávio, na Garibaldi, outro na Escola Paroquial Santana, em Nazaré, e, por último, Escola Santa Teresinha, no Chame-Chame.

Diárias
A Associação dos Cordeiros (Assindcorda) se reuniu e vai propor mudanças na reunião de hoje. Os profissionais da corda querem um aumento nas diárias pagas pelos blocos — o valor é de R$ 28 e eles reivindicam R$ 50. Além disso, segundo um dos diretores da instituição, Mateus Silva, eles exigem o pagamento de adicionais de periculosidade e insalubridade e o recolhimento de INSS de cada um dos que vão trabalhar na festa.

Eles querem ainda que a Assidcorda seja a responsável por cadastrar e contratar os profissionais. “Haverá carteiras de identificação, palestras e cursos sobre a importância do associado trabalhar pelo turismo da cidade. Hoje, associados, existe uma média de seis mil, o que não é suficientes para atender o Carnaval”, admite Mateus.

Já o presidente da Associação dos Blocos e Trios, Fernando Boulhosa, diz que os pedidos são impossíveis de serem atendidos. Principalmente pela falta de comprometimento de muitos profissionais, que faltam, brigam ou abandonam o trabalho durante o percurso.

“Essa não é uma profissão regulamentada e não existe lista de deveres e obrigações. Assinamos o TAC e aí passamos a ter obrigações, com multas exorbitantes. Mas, se ele chegar para trabalhar embriagado, se faz de coitadinho, se ele foge no meio do bloco, não podemos fazer nada”.

Fernando diz ainda que, mesmo constatando a falta de compromisso, é obrigado a pagar pelos serviços não prestados de alguns cordeiros. “Ainda temos que pagar a diária do mau profissional. Não há espírito sindical, não há organização e muito menos associados para suprir a necessidade”, completa.
A prefeitura tem a expectativa de que o acordo seja fechado hoje.

Na reunião de ontem foi sugerido que o bloco encontre uma alternativa para compensar, oferecendo um valor para que o cordeiro compre o sapato, caso não possa fornecer o calçado, direito do cordeiro, garantido por decreto. “O Carnaval é do povo, cabendo aos órgãos organizá-lo. Cada segmento tem sua parcela de responsabilidade”, diz o vice-prefeito, Edvaldo Brito.
Correio*