Júlio César Cardoso*

Li com satisfação a notícia moralista de que o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) repudia as pensões de ex-governadores. E quem no Brasil não se indigna com tal imoralidade?

Esses falsos moralistas políticos, que se beneficiam do Erário, deveriam ser tratados com o rigor que a lei dispensa aos larápios. E ainda com o agravante, porque eles não escondem as suas artimanhas. Mas a coisa não é combatida no Brasil porque há muito interesse velado.

Sem querer atingir nomes deste ou daquele partido, vejamos, por exemplo, o petista gaúcho e ex-governador Olívio Dutra, hoje mamando do leite da imoralidade. Ele nunca moveu um dedo sequer para acabar com a safadeza das pensões no RS. E isso que o bigodudo se passava como pregador da moralidade política.

Agora, o governador Tarso Genro vem – com a sua esperteza, visando preservar também uma fatia no bolo da imoralidade para depois de seu mandato -, apresentar ao Legislativo gaúcho uma alternativa de meia-sola, que reduz gastos, mas conserva o pagamento do benefício imoral. Trata-se, portanto, de uma proposta especiosa, que continua a manter privilégios.

Não é só no Paraná, de Álvaro Dias, Requião etc., que a safadeza ocorre, mas também em outros Estados. O Zeca do PT, em Mato Grosso, também mamava na teta estadual da imoralidade, e o STF considerou inconstitucional o seu benefício vitalício. Assim, há esperteza de ex-governadores em todos os partidos e em todos os lugares, que se locupletam com a imoralidade das pensões vitalícias, pagas por todos nós.

O ex-governador petista acreano, hoje senador, Jorge Viana, também recebe a prebenda de ex-governador, na maior cara de pau, e acha tudo legal. O senador gaúcho Pedro Simon/PMDB, ex-governador, depois de vinte anos requereu o direito de receber a imoralidade da pensão. Com todo o respeito, fica difícil saber quem não é farinha do mesmo saco. Só querem tirar vantagem à custa de nossos impostos. Uns mais, outros menos.

Geralmente, o político não vê imoralidade nas vantagens obtidas com o mandato. Muitos brasileiros não sabem, mas os senadores e ex-senadores (e famílias) têm direito ao plano de saúde (gratuito) no Senado, sem jamais terem contribuído com nenhum real.

Isso não afronta a igualdade dos direitos, bem como ao princípio constitucional da moralidade, impessoalidade? No entanto, nenhum dos 81 senadores jamais procurou corrigir essa imoralidade. Pois bem, ano passado, questionei os 81 senadores sobre a matéria, e somente um – Paulo Paim (PT-RS) – se manifestou, informando que tem plano de saúde privado. Os demais silenciaram.

Essa conduta censurável de tirar vantagem das coisas públicas parece estar enraizada no DNA do político brasileiro, e representa a herança maldita, imoral e patrimonialista deixado pela Coroa portuguesa no Brasil. Ainda não foi descoberta uma vacina contra a corrupção política brasileira.
*Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado